Prós e contras de fazer pós em Portugal, segundo uma brasileira

Nathália Becker faz seu doutorado na Universidade do Algarve e compara a carga de estudos acadêmicos no Brasil e em Portugal

Ao finalizarmos a graduação, podemos optar por vários caminhos, entre os quais está a carreira acadêmica – primeiramente, o mestrado, depois o doutorado e, por fim, um pós-doutoramento. No meu caso, tendo como área de formação a Psicologia, gostaria de compartilhar um pouco de como é, e tem sido, fazer meu doutorado em Portugal, na Universidade do Algarve (UAlg).

Durante o mestrado, tive a oportunidade de realizar um período “sanduíche” na UAlg, localizada bem ao sul de Portugal, em uma simpática cidade chamada Faro. A escolha da universidade veio por uma sugestão da minha orientadora do mestrado, que conhecia um professor da instituição. Sinceramente, as disciplinas de mestrado que cursei na UAlg foram um pouco abaixo das minhas expectativas – talvez, pelo simples fato de que, na Europa, muitas universidades aderiram à Declaração de Bolonha, o que reduziu consideravelmente a carga horária dos cursos. Mesmo assim, durante todo o intercâmbio tive gratas surpresas pessoais e profissionais que me levaram a querer voltar para Portugal para cursar o doutorado.

O Curso de Doutoramento em Psicologia da UAlg é bem tranquilo, pois a maioria das disciplinas são caracterizadas como seminários, ora de defesa de projeto, ora de assuntos interessantes para a formação. O tempo de conclusão gira por volta de três anos, sendo possível um prolongamento de mais dois anos, caso seja necessário.

Pontos positivos e negativos de uma pós-graduação em Portugal

Estudar em outro país possibilita um ganho pessoal sem tamanho. Constantemente você terá contato com alunos e pesquisadores de outros países e o inglês será a língua oficial para as trocas de informações e rodas de conversa, mesmo em uma universidade lusófona como a UAlg. As possibilidades de colaborações com outras universidades europeias é mais um fator positivo. Para financiar seus estudos, você pode solicitar uma bolsa de doutoramento via agências de fomento brasileiras, como por exemplo, a CAPES – que foi o meu caso.

Por outro lado, os cursos são pagos e para os alunos internacionais as taxas acadêmicas, ou, como se diz aqui, as propinas são maiores – embora brasileiros consigam “reverter” isso ao solicitar o Tratado de Porto Seguro. Além disso, há poucas disciplinas para cursar e os orientadores deixam um pouco “por conta” os alunos, fazendo com que o acompanhamento não seja tão próximo. A possibilidade de atuar em bancas de trabalhos de conclusão é muito rara, bem como coorientações. A disponibilidade de bolsas é praticamente nula, portanto, muitos alunos acabam tendo que custear a própria formação. E, para finalizar, pode levar mais de seus meses para que, depois da submissão da tese, seja feita a defesa.

Por fim, gostaria de dizer que o importante é você planejar bem o que quer e para onde deseja ir. Quando estamos fora de nosso país aprendemos a dar valor ao que temos nele, portanto, pense nisso! Estudar fora te permite ampliar horizontes e buscar contribuir com o crescimento daqueles que desejam trilhar um mesmo caminho e, também, ao regressarmos temos uma outra visão e podemos trabalhar muito para a melhora de nosso país.

 

Nathalia BrandolimSobre Nathália

É Mestre em Psicologia da Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente é acadêmica de Doutorado em Psicologia, na Universidade do Algarve e bolsista CAPES. É co-idealizadora do Núcleo de Alunos Brasileiros da Universidade do Algarve e do blog BrandoBe e, atua como membro voluntário do Conselho de Cidadania do Consulado-Geral do Brasil em Faro.

 

  • Este artigo foi originalmente publicado por Estudar Fora, portal da Fundação Estudar