Employer branding, a nova arma para reter talentos

A insatisfação dos profissionais tem o sabor de mudança que flutuou nas ruas do Brasil nas últimas semanas

São Paulo – Uma executiva que conheço desabafou outro dia sobre a dificuldade que encontra para manter profissionais de alto potencial na equipe.

“Nos últimos tempos, eles ficam na empresa uma média de três anos”, disse ela. Após esse período, eles cansam da mesmice e mudam de emprego. A executiva lamenta essas perdas, pois já viu a empresa investir tempo e dinheiro na preparação das pessoas talentosas que se vão. Esse é um problema generali­zado do mundo corporativo.

Para manter os bons profissionais, as empresas gastam fortunas em programas de atração e retenção. Está na moda o employer branding, um conjunto de técnicas usadas para reforçar a imagem de boa empregadora de uma empresa, uma artimanha para transformar um escritório burocrático num lugar fantástico para trabalhar.

Essa insatisfação com o trabalho tem o sabor de mudança que flutuou nas ruas do Brasil nas últimas semanas. As pessoas também estão se manifestando contra o modelo atual de produção. Duvida? Confira o sarcasmo do site FireMe! Quem quer ser despedido?

Leia as reclamações de quem não aguenta mais a rotina em tempo real e compartimentada em assuntos, e veja o que os usuários pensam sobre os colegas inseguros e os chefes intragáveis. As pessoas querem criar, rea­lizar e inovar, mas o trabalho convencional não dá vazão a essas aspirações.

Há gente pensando em desenvolver aplicações no espaço sideral. A startup americana nanosatisfi.com permite que qualquer pessoa alugue um satélite por 250 dólares por semana. No Innocentive, você pode ganhar até 1 milhão de dólares resolvendo problemas para empresas — coisa que quem está dentro dessas companhias provavelmente não pode fazer ou não receberia nenhum reconhecimento caso pudesse.

O documentário Um sofá de cada vez (One couch at a time) nos ensina que uma das palavras do século 21 é “altruísmo”. A diretora do filme, a americana Alexandra Liss, viajou para 21 países em seis meses sem um tostão, usando apenas o Couchsurfing, rede que conecta viajantes sem grana a anfitriões interessados em trocar experiências. 

Com o universo de possibilidades que a cultura da rede abre para profissionais, imagino que as empresas terão de quebrar a cabeça para dar ao trabalho um novo significado. Um significado que atenda aos anseios que vêm das ruas e já estão documentados nas redes sociais.

Gil Giardelli escreve sobre inovação digital e é professor do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM e da Miami Ad School. Também é presidente da Gaia Creative