O termo Carnaval precisa ser escrito com letra maiúscula?

Professor Diogo Arrais usa a frase "...folia à mesa: prepare-se para o Carnaval" para pontuar questões de português

Nesta época do ano, são frequentes textos sobre o Carnaval. Uma frase chamou minha atenção:

“…folia à mesa: prepare-se para o Carnaval.”

No Grande Manual de Ortografia, Celso Luft é enfático: deve ser aplicada a inicial minúscula para os nomes de festas pagãs, como “carnaval” e “saturnais”. Acrescento aqui também a expressão “micareta”, festa carnavalesca fora de época.

Entendo que a intenção do escritor, ao grafar com a maiúscula, foi destacar a palavra e seguir uma tendência: quase ninguém grafa “carnaval” com a inicial minúscula.

Sabe-se também que pode haver a maiúscula estilística (gerando maior importância ao termo), como em: “aqui é Festa!”, “aqui é Folia!”, “aqui é Carnaval!”.

O dicionário Houaiss expõe uma visão curiosa: “carnaval é usado, por vezes, com a inicial maiúscula.”

Sobre “folião” e “folia”, registra o estudo de Deonísio da Silva: do francês folie, loucura, por sua vez vindo do latim folle, movimento. Passou a ser aplicado a um tipo de louco que raramente está quieto. Em sentido conotativo, designa indivíduo que dança e canta em ocasiões específicas, como as festas do Divino, de Reis e do Carnaval. Noto que, no estudo etimológico, o professor usou a inicial maiúscula, confirmando tal tendência gráfica. Ademais, os veículos de comunicação seguem com essa escrita.

Retornando à frase, por que teria o cronista registrado “à mesa”, e não “na mesa”?

A preposição “a” indica aproximação, contiguidade, exposição a um agente físico, como em “estar ao volante, falar ao telefone”. Recorrendo a palavras mais simples: durante o almoço, as pessoas estão à mesa.

Por outro lado, a preposição “em” indica posição em contato, dentro de ou em cima de. Assim sendo, o jantar ou o almoço devem estar na mesa.

Há os que amam a folia, contando as horas para o início da festa; há os que odeiam, procurando refúgio nos dias carnavalescos. O importante, diria o poeta, é que se esteja feliz, agradando ao coração.

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Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – CPJUR
Autor Gramatical pela Editora Saraiva