O que o homem mais rico do Brasil queria ter aprendido antes

Jorge Paulo Lemann conta as duas lições de carreira que ele gostaria de ter aprendido antes na vida

O empresário carioca Jorge Paulo Lemann fundou e passou 27 anos da sua carreira no banco Garantia. Olhando para trás, ele lamenta ter demorado para desenvolver uma visão de longo prazo naquela época. Em uma corretora você está sempre pensando 24 horas para frente. Banco de investimentos também é um negócio de oportunidades do momento. Demorou algum tempo para eu entender que aquele turbilhão é divertido no dia a dia, mas, se você não pensar para onde vai e incutir isso na cultura das pessoas que trabalham com você, não vai chegar muito longe, diz.

Outra lição que gostaria de ter aprendido antes foi a importância de dar mais atenção às pessoas que compram os seus produtos. A cultura de uma corretora, no mercado financeiro, não era de agradar o cliente ou dar muita importância para o consumidor. Com o passar dos anos eu aprendi que, se você quiser montar uma coisa maior, não existe a possibilidade de fazer isso sem se preocupar em agradar quem você está servindo, afirma. Se tivesse aprendido essas lições um pouco antes, talvez pudesse ter feito mais. Mas… estou sempre aprendendo.

Assista a vídeo exclusivo com Jorge Paulo Lemann, gravado durante evento de comemoração dos 25 anos da Fundação Estudar, em agosto de 2016:

Acertos – Por outro lado, Lemann também comemora seus acertos. Um dos maiores, segundo ele, foi ter se associado a Marcel Telles e Beto Sicupira, ao lado de quem fundou a Estudar, em 1991. Nos vídeos a seguir, ele explica como seleciona seus sócios e quais são seus pontos fortes mais marcantes.

Nosso processo de seleção não é milagroso, não acontece de um dia para o outro. No banco Garantia, sempre aparecia uma porção de gênios que diziam querer trabalhar lá, mas faziam exigências. Eu nunca aceitei isso. Se quiser vir trabalhar, vem. Terá a chance de virar sócio pequeno, depois de aumentar a participação. Esse sempre foi um processo gradual de crescimento. Nunca optei por sociedades repentinas. Sociedade é algo para ir cultivando aos poucos. É como num casamento: você vai namorando, testando… até finalmente decidir virar sócio.

Sou melhor sonhador do que executor. Tenho sonhos grandes, gosto de pensar grande… Na hora de executar eu corro atrás, sei o que é importante, acompanho o que está sendo feito, mas tive a sorte de ter encontrado Marcel e Beto, meus sócios, que basicamente são melhores executores do que eu. Sem dúvidas funcionou bem. Agora, eu sou o primeiro a reconhecer que ficar sonhando grande não adianta nada. Tem que executar bem. Por isso eu tenho me apoiado muito em outras pessoas que são melhores nisso.

* Este artigo foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal da Fundação Estudar