O piloto de aviões que virou diretor de RH

Sergio Fajerman trabalhou como piloto comercial, estudou economia e hoje é diretor de pessoas do banco Itaú

São Paulo — Muito antes de se tornar executivo, o carioca Sergio Fajerman, de 43 anos, andava com a cabeça e os pés nas nuvens. Apaixonado por aviação, decidiu trancar o curso de economia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, para tirar habilitação de piloto comercial em Porto Alegre e iniciar os treinamentos na Varig.

Aos 20 anos, ele fez o primeiro voo pela companhia gaúcha e trabalhou como piloto comercial durante dois anos. Em 1994, Fajerman retomou os estudos em economia porque achava importante ter mais opções de carreira. Mesmo formado, ele não abriu mão de pilotar. “Comecei representando a associação de pilotos em alguns projetos e, assim, me aproximei do RH da Varig”, diz.

Em 2000, com a ajuda de Odilon Junqueira, então diretor de RH da companhia aérea, Fajerman adotou uma nova rotina, passando a se dividir entre o escritório e a cabine de comando. De segunda a quinta-feira, atuava como gerente de controladoria do Fundo de Pensão da Varig; na quinta-feira, fazia uma rota internacional e, no sábado, pilotava de volta para o Rio de Janeiro.

Experimentar as duas áreas durante três anos o ajudou a entender que ele amava pilotar, mas não ser piloto. “A trilha de carreira de um piloto é sempre a mesma. Eu sentia falta do inusitado”, diz.

Com a decisão de que trocaria o quepe pelo terno, em 2003, Fajerman ingressou num MBA com foco em finanças na Insead, na França. No fim do curso, recebeu uma proposta do Unibanco para trabalhar no departamento de recursos humanos. Recusou a oferta para ficar mais um ano na Europa, trabalhando na área financeira de uma rede de hotéis.

Em 2005, o Unibanco voltou a oferecer a vaga e, dessa vez, ele aceitou. Começou como gerente de remuneração, foi promovido a superintendente de remuneração e benefícios e, depois, a superintendente de pessoas.

Em 2008, passou pela fusão com o Itaú e, cinco anos depois, alcançou a diretoria da área de pessoas do banco. Hoje, Fajerman mantém a cabeça e os pés no chão — o que não o impede de pilotar aeronaves menores sempre que tem vontade.