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"Todos os ex-executivos do banco que eu entrevistei hesitaram em incluir a experiência no currículo", diz Ana Carla. Em casos de repercussão pública, recomenda-se ao profissional ser transparente. "Se a pessoa não teve envolvimento na questão, não há problema algum em relatar a passagem pela companhia", explica Ana Carla. "Mas, se existir qualquer sinal de participação, o profissional dificilmente conseguirá uma recolocação no mercado", alerta. Se há um deslize ético, resta ao profissional avaliar como vai lidar, no futuro, com esse tipo de comportamento.
Rigor na seleção
Para Fernando Guedes, diretor da Asap, empresa de recrutamento de São Paulo, algumas situações chamam a atenção e são passíveis de investigação por parte dos recrutadores. A presença constante de passagens curtas em diferentes empresas, por exemplo, normalmente merece investigação. "Vou tentar descobrir se por trás daquela breve permanência existiu alguma prática ilícita, o que desqualificaria totalmente o currículo", diz Fernando. Não duvide da capacidade dos recrutadores e dos departamentos de recursos humanos das empresas. Eles vão conseguir levantar informações sobre seu histórico profissional. No mercado, as notícias correm.
Outra situação recorrente é o profissional ficar em dúvida na hora de falar sobre um chefe com má fama no mercado. É a outra parte da história: o profissional descobriu, ou desconfia que o líder tem um comportamento incorreto antes de qualquer fato grave vir à tona. A melhor coisa é cair fora do emprego ou do departamento o mais rápido possível. Qualquer que seja a decisão, o conselho é o mesmo: nunca fale mal do chefe.
Como as empresas de recrutamento vão buscar informações no próprio mercado, é comum surgirem comentários sobre a idoneidade ou até mesmo sobre o temperamento do líder. "Se isso acontecer, fale apenas de sua relação profissional", afirma Silvio Celestino, sócio da Alliance Coaching, de São Paulo. Evite fazer comentários depreciativos a respeito do chefe. "Muitos recrutadores entram em determinados assuntos só para testar a ética da pessoa", diz Silvio. Escândalos corporativos vão continuar ocorrendo.
Se você perceber que trabalha numa empresa fraudulenta ou numa área que desvia recursos, afaste-se do problema. Peça uma transferência ou, em último caso, arrume outro emprego. Se a bomba estourou e o mercado ficou sabendo, vá atrás de outra colocação e, durante as entrevistas, gaste um tempo mostrando o cenário e explicando que você não se envolveu. Se for verdade, os recrutadores saberão identificar.
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