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São Paulo - Quem vê o lutador baiano Rogério “Minotouro” Nogueira, de 35 anos, no octógono, de guarda armada e olhos fixos nos movimentos do adversário tem dificuldade para imaginar que o gigante do Ultimate Fighting Championship já considerou a hipótese de ser um advogado e viver de terno e gravata, ajudando seus clientes a pagar menos impostos, em Vitória da Conquista, no interior da Bahia. Irmão gêmeo de Rodrigo Nogueira, o Minotauro, um dos maiores nomes dos torneios de vale-tudo de todos os tempos, Rogério demorou a tornar-se lutador profissional porque passou três anos na faculdade de direito perseguindo um sonho que não era seu, mas de seu pai.
"Meu pai tinha planos para mim, para o nosso escritório de direito tributário em Vitória da Conquista. Isso pesava muito e me mantinha dentro da faculdade", conta. Foram três anos na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, um dos mais tradicionais cursos de Direito do país. Durante esse período, nunca largou a rotina diária de treinamento. "No começo, eu estava muito interessado na faculdade, mas, com o tempo, o esporte foi falando mais alto", diz Rogério.
Dos três anos em que frequentou a Gama Filho, dois foram de ansiedade e indecisão. Rogério temia decepcionar a família, em especial o pai. Ao mesmo tempo, via a carreira do irmão florescer. Começou a viver a crise de ter de optar entre a advocacia, uma decisão mais segura e previsível, e a luta, um caminho incerto.
"De cada 100 lutadores que tentam ingressar no mercado, 95 ficam para trás e saem do circuito logo nas primeiras lutas", diz Minotauro, o irmão pioneiro e companheiro inseparável. "Àquela época, não sabia se eu conseguiria o mesmo desempenho de meu irmão", lembra Rogério.
O embarque do irmão, aos 21 anos, rumo aos Estados Unidos para lutar profissionalmente mexeu com a cabeça do jovem estudante de Direito. Meses depois, Rogério aproveitou uma de suas férias letivas para acompanhar Minotauro em uma temporada de lutas em Miami. Foi sua viagem de transformação pessoal e de passagem para o mundo do esporte profissional.
Ao longo de três meses, Rogério foi sparring (parceiro de treino) do irmão, que fora do ringue o incentivava a virar lutador. "Foi a oportunidade para que ele percebesse que é mais válido ganhar a vida fazendo o que se gosta", conta Minotauro. "O sucesso depende muito mais da sua força de vontade e da dedicação do que de golpes de sorte."
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