São Paulo - A chegada de 2016 pode ser um pretexto para tirar antigos projetos da gaveta e fixar novas metas para a sua vida pessoal e profissional.

Mas as famosas resoluções de ano-novo - por mais puras e inofensivas que pareçam - podem trazer mais danos do que benefícios.

Quem desaconselha as tradicionais listas é a psicóloga social Amy Cuddy, professora na Harvard Business School. De acordo com ela, o maior problema com as resoluções está no fato de que elas costumam ser ambiciosas demais.

Passada a euforia da virada, os grandiosos objetivos que você estabeleceu para si mesmo se revelarão impossíveis. Diante do inevitável fracasso, a sua auto-estima sofrerá um baque, diz a pesquisadora ao site Business Insider

A isso se soma o fato de que as promessas geralmente nascem de um sentimento negativo. “As pessoas costumam se concentrar naquilo que querem mudar nelas mesmas, aquilo de que não gostam de si mesmas”, diz Cuddy. No entanto, as emoções negativas dificilmente se traduzem em motivação.

Se você decide, por exemplo, que será menos tímido ao fazer networking, estará antes de tudo fazendo uma crítica ao seu próprio jeito de ser. A melhor opção é formular uma ideia positiva, como “conhecer mais pares” ou “investir em relacionamento”.

Segundo a psicóloga de Harvard, as listas também não funcionam porque se fixam exageradamente nos resultados - e colocam os processos para atingi-los em segundo plano.

Conseguir uma promoção no trabalho, por exemplo, é uma realização que depende de inúmeros fatores. Há inclusive variáveis externas, como a composição atual da equipe, as finanças do seu empregador e até mesmo a personalidade do seu chefe. 

Em geral, as resoluções ignoram as variáveis complexas que separam você do seu objetivo. Isso significa, na prática, que são fantasias com pouco potencial para sair do papel, diz a professora de Harvard.

De promessas a planos
Para o coach Eduardo Ferraz, as vagas resoluções de réveillon devem ser substituídas por estratégias de carreira. E a melhor forma de fazer isso é fixar prazos.

O ideal, afirma o especialista, é elaborar um cronograma para o ano inteiro e programar revisões trimestrais.

Além disso, é preciso usar fatos concretos como base para as suas decisões. Ferraz aconselha um balanço de cinco aspectos da sua carreira: estabilidade, remuneração, aprendizado, ascensão profissional e nível de realização. A situação está melhor ou pior do que há um ano, sob cada um desses ângulos?

Também é importante pedir feedback para pares e colegas - mas só daqueles que terão coragem de dizer algumas verdades pouco confortáveis para você. Só a partir desses dois instrumentos você conseguirá traçar um plano viável para o ano que chega, conclui o coach. 

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