São Paulo – A regra é clara. Para ser reconhecido no mercado é preciso ir além do horário do expediente e investir seus rendimentos na própria formação. Frente a essa premissa, com dinheiro suficiente no bolso e a meta de garantir um crescimento rápido na carreira, muitos seguem o impulso de recorrer, logo de cara, a um MBA. Mas até que ponto esse método é eficaz para conquistar um headhunter?

“O MBA é a cereja do bolo da formação acadêmica. Ele deve ser olhado como o último estágio da sua formação”, afirma Eduardo Bacetti, sócio da consultoria 2Get. Isso significa que ele só confere peso ao currículo quando conjugado com uma sólida trajetória educacional e profissional.

O problema, segundo os especialistas, é que o Brasil já vive um processo de banalização dos cursos de MBA. “As pessoas pensam que o diploma vai resolver todos os problemas das vidas delas”, diz Bacetti.

Neste misto de deslumbramento e empolgação, muitos ingressam num desses programas sem planejar ou, no mínimo, questionar a validade do conteúdo para a própria carreira.

O resultado dessa postura é um saldo negativo na relação entre investimento e nível de empregabilidade. “A melhor remuneração só virá quando o profissional conseguir aplicar tudo aquilo que aprendeu”, diz Marcelo Cuellar, da Michael Page.

Esse tipo de avaliação exige maturidade e experiência do profissional. Não dá para investir em um MBA sem ter uma noção clara do que realmente será relevante para as suas futuras opções de carreira. “Ele precisa estar em uma posição na empresa que garanta boa visibilidade de todo o negócio”, afirma Carina Budin, diretora da Asap.

As penalizações para quem não segue essas premissas variam de passar anos perambulando de um MBA para outro ou deixar lacunas na própria formação.

Custo benefício
No Brasil, os bons programas de MBA exigem que os candidatos apresentem uma experiência mínima em cargos de gestão. No entanto, com a rápida ascensão da chamada Geração Y no ambiente corporativo, algumas instituições americanas começam a abrir as salas de aula dos cursos de MBA também para o público mais jovem – e, como consequência, menos experiente no mercado.

O ponto negativo da nova onda de “juniorização” desses cursos é que muitos jovens estão partindo para o MBA sem o alicerce necessário para as exigências teóricas e profissionais desses programas.

A base dos cursos, via de regra, é feita da interação entre conceitos teóricos, estudos de caso e a experiência dos alunos. Sem referências concretas do mercado corporativo, é quase impossível acompanhar esse programa. “Como você vai encontrar soluções para os cases propostos se não tem condições para montar um paralelo com o que acontece na vida real?”, questiona Denis Monteiro, consultor da Fesa.

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Trainees da PwC

É preciso lembrar que, na hora de retornar para o mundo corporativo, o diploma de MBA não será o único fator de peso para a decisão do recrutador. E aqui jaz outro ponto de argumento contrário à lógica dos mais apressados.

Uma grande parcela dos cursos de MBA internacionais exigem dedicação integral do aluno por cerca de dois anos. Em outras palavras, um longuíssimo período de tempo longe do mercado de trabalho. Novamente, o diploma não garante imunidade contra o desemprego. Nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa feita em setembro, 12% dos graduados no MBA ainda não tinham conseguido retornar à ativa no mercado.

“A experiência prática conta mais do que a acadêmica”, afirma o consultor da 2Get.

O avesso aos ponteiros
A construção de uma carreira sólida exige paciência. É certo que diante do frenesi da economia brasileira e das oportunidades de rápida ascensão, é quase impossível manter-se longe da ambição exagerada. Mas não vale a pena pular etapas.

Especialistas recomendam um caminho equilibrado entre formação acadêmica e vivencia profissional. Após concluir a graduação, por exemplo, invista alguns anos no mundo corporativo. Quando seus rumos estiverem definidos, parta para um curso de especialização. Só depois disso, encare o MBA.

Para os profissionais que já assumiram um cargo de diretoria, há menos opções. Uma solução é partir para os cursos de curta-duração dedicados a CEOs, como os programas oferecidos na Universidade de Harvard.

“A grande armadilha, sempre, é ter uma formação não sólida ou não contínua”, diz Bacetti. Por isso, a ordem é: planeje-se de maneira precisa para agregar novos conhecimentos ao longo de toda a sua carreira – e não apenas nos cinco primeiros anos dela.

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