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Antes de conversar com o chefe, o profissional deve avaliar os riscos e evitar saia justa
São Paulo - Há dois anos, Daniela Bertuco de Souza, de 34 anos, coordenadora de treinamento da multinacional de tecnologia SAS Institute, com escritório em São Paulo, enfrentou uma das piores fases de sua vida. Apesar do bom momento na carreira, o lado pessoal passava por turbulências. Com a separação do marido, mal conseguia se concentrar no trabalho. "Tinha vontade de chorar a todo instante", lembra.
Daniela sabia que a falta de foco era inevitável e uma hora ou outra a situação atrapalharia seu desempenho profissional. Foi, então, que resolveu abrir o jogo com o chefe. "Havia abertura e preferi que ele ficasse ciente antes de algo acontecer lá na frente", diz. Em paralelo, pediu ajuda ao programa que a empresa oferece de apoio ao funcionário.
Ela pôde contar com um psicólogo, com um assessor jurídico, para resolver aspectos legais do divórcio, e com um consultor financeiro, que a ensinou a reorganizar seu orçamento familiar. "Tudo isso foi importante porque precisava aprender a lidar com a perda e evitar maiores problemas de dinheiro, já que minha situação se complicou com a venda do apartamento", diz.
É inegável que problemas pessoais afetam o dia a dia no trabalho. Seja por causa de uma separação, por morte na família, seja por causa das dívidas que se acumulam, sobretudo no início do ano, quando os gastos triplicam com IPVA, IPTU e a matrícula da escola dos filhos. A cabeça fica longe, a produtividade cai e o desempenho profissional é afetado. Muitas empresas, a exemplo de Johnson & Johnson, SAS, Bradesco, Nextel e Henkel, criaram programas de apoio aos funcionários para ajudar aqueles que passam por situações difíceis. Dados da consultoria Towers Watson mostram que essa é uma prática que vem se firmando nos últimos anos.
De 168 companhias ouvidas no país, 27% têm programas como esse. A ideia é preservar a identidade de quem não se sente confortável em falar com o chefe e evitar a perda de produtividade no trabalho, claro.
Avalie a situação
O que fazer se não existe uma política definida que permita contar os problemas pessoais? Será que vale a pena levá-los para a mesa do chefe?
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