São Paulo - Ligações nas madrugadas e pressão para entregar trabalhos costumam fazer parte do dia a dia de um engenheiro de software. Rotina estressante, certo? Em parte. O cargo tem suas vantagens. "É possível ter um horário flexível, apesar de não ser uma maioria. O que preciso é entregar os resultados no prazo", conta Thiago Lechuga, engenheiro de software e consultor de TI.

O trabalho foi considerado o melhor emprego do mundo por uma pesquisa recente do site americano CarreerCast.com — que listou as 200 melhores e piores profissões segundo os critérios de demanda física, ambiente de trabalho, renda, estresse e perspectivas de contratação.

O mercado aquecido de tecnologia da informação também ajuda quem pretende seguir carreira nessa área. Segundo a consultoria IDC, em 2011 as empresas investiram no setor 60 bilhões de reais, número recorde. "É um mercado em crescimento, então, realmente não temos problemas quanto à falta de emprego. A maioria das vagas de trabalho é para pessoas qualificadas", explica Thiago, que diz trabalhar com o que gosta.

Se os códigos estão na rotina de Thiago, o que sempre fez os olhos de Flávio Castro, sócio atuário da empresa Atuas, brilharem foi a Matemática. Um atuário trabalha em seguradoras, empresas de previdência e mercado financeiro, usando estatísticas e premissas econômicas para calcular riscos de planos de saúde, de previdência e seguros. "Sou bem-remunerado em comparação a outras profissões acredito no que faço", conta Flávio.

Encarada como a segunda melhor pelo ranking do site americano, a profissão é mais valorizada nos Estados Unidos do que no Brasil na opinião de Flávio. "Mas aqui já é possível encontrar alguns atuários em posições de destaque nas empresas."

Os piores empregos (será?)

Função tradicional, a profissão de produtor de leite ficou como a segunda pior, de acordo com a pesquisa do CarreerCast.com. Para Jorge Rubez, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Leite Brasil), o emprego tem suas vantagens e desvantagens. "A profissão é boa? Eu diria que há outras melhores. A rotina de trabalho é estafante e, como qualquer profissão, se algo dá errado no trabalho o produtor acaba se estressando. Ele não vive menos estressado do que um pedreiro, por exemplo", conta. Um pequeno produtor, geralmente, acorda por volta das 5h para tirar leite e não tem funcionários trabalhando para ele. A vantagem, segundo Jorge, é que "o pequeno produtor sobrevive do leite, tem poucos gastos e complementa sua renda com outras atividades, como plantações."

A produção de leite no Brasil mantém a taxa de crescimento médio anual de 5%. Mesmo assim, conseguir profissionais que desempenhem bem as funções é ainda uma tarefa difícil. "A mão de obra no campo é um gargalo. Quando conseguimos trabalhador para duas funções importantes — ordenhador e inseminador —, é preciso ensinar bem as atividades, oferecer cursos e melhor salário."

Enquanto o produtor de leite tem a seu favor um mercado com produção crescente, o lenhador — pior profissão segundo a pesquisa — trabalha em um setor que não vive bom momento no Brasil. Essa é a visão de Niron Fogaça, consultor da área de madeira e secretário do Sindicato da Indústria Moveleira e Madeireira de Manaus (AM). "As grandes empresas que existiam em Manaus fecharam. O Amazonas passou a ser alvo de críticas, inclusive internacionais". Para ele, grande parte da queda no setor está relacionada às leis de proteção ambiental.

A principal delas, a Lei de Crimes Ambientais, de 12 de fevereiro de 1998, criminaliza quem compra, vende e transporta madeira sem as devidas licenças. "A extração de madeira costumava ser um complemento do que o profissional extraía da floresta. Hoje em dia, só empresas que compram terras grandes conseguem fazer o manejo de acordo com as exigências", diz Niron. Sobra pouco espaço para o antigo lenhador.

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