Recentemente o maior tenista da história do Brasil, Gustavo Kuerten, compartilhou em suas redes sociais uma mensagem que enviou de Paris aos pais aos 15 anos de idade. “Eu sou um jogador de tênis do Brasil, como eu existem milhares iguais. Só que eu acho que posso ser o número 1 e por isso estou treinando muito e dando tudo de mim”, escreveu o então aspirante a atleta premiado.

Guga compartilhou o arquivo ao comemorar 15 anos depois de ter chegado ao topo do ranking mundial do esporte e ser o primeiro sul-americano a alcançar esse posto. Além das competências ligadas à determinação e superação, a construção e o desenvolvimento da autoestima de Guga desde a juventude foi um fator fundamental para o sucesso que atingiu em sua carreira.

A autoestima mostra a forma como nos sentimos em relação a nós mesmos. Ela se configura a partir de experiências vividas, de relacionamentos e mensagens que recebemos de pessoas próximas importantes. Por isso mesmo, é fundamental para a projeção na carreira.

A importância da autoestima

O jovem que deseja desenvolver uma trajetória de impacto e se destacar deve buscar formas de ampliar sua autoestima positiva. O motivo é simples: quem aprendeu a confiar em si e nos demais, normalmente tem uma posição existencial de maior valorização de si e do outro. Respeita a si e aos outros, mostrando consideração, usando de tratamento franco, direto, sincero e respeitoso — independentemente da posição ou do estilo de pessoa com a qual se relaciona.

Algumas questões influenciam a formação da autoestima de uma pessoa: a forma como ela percebe a realidade, tipo de pensamentos, forma de representação de suas ideias e desejos; a qualidade da saúde física; a qualidade dos relacionamentos e a maneira como percebe o mundo à sua volta; o nível de autoconhecimento e como promove a tomada de conhecimento; o nível de esforço para superar os próprios limites e as melhorias no desenvolvimento da personalidade.

O nível de interesse na mudança e no aprimoramento pessoal também influencia a forma como construímos nossa autoconfiança – isso mesmo, ela pode ser construída. E o processo de construção acontece quando, ao longo da vida, reconhecemos em cada encontro conosco e com outras pessoas uma oportunidade para ampliação do autoconhecimento (saber quais são as suas necessidades, desejos e habilidades), autoaceitação (aceitar o próprio temperamento e estabelecer objetivos concretos de mudança pessoal) e autodesenvolvimento (a capacidade de avaliar individualmente suas características, reforçando qualidades e trabalhando para corrigir limitações e planejar mudanças com objetivos e metas, de forma persistente).

Mas como podemos promover a autoestima de forma sustentável? A seguir, apresento algumas atitudes que podem ajudar:

1. Torne-se proativo e antecipe comportamentos realizadores

Procure observar a realidade sob perspectivas positivas e pensando mais na solução do que nos problemas. Dedique-se a uma causa, procurando alinhar suas expectativas às reais possibilidades de crescimento. Você é protagonista de suas escolhas e responsável.

2. Exercite para reduzir suas resistências a mudanças; perceba e aproveite oportunidades

É natural ficarmos na zona de conforto, mas apenas fora dela alcançamos o aprendizado e abrimos possibilidades de realização. Novas experiências ampliam a percepção de novos caminhos e perspectivas em sua vida.

3. O poder da comunicação é dizer o que sente, respeitando o direito do outro construindo relacionamentos de forma assertiva

Pela linguagem promovemos a ação do outro. Assim, desenvolver habilidades de negociação, baseadas na relação ganha-ganha e respeitando os mais diferentes pontos de vista, é uma forma positiva de construção da carreira. Cultive a firmeza com ternura e a decisão com flexibilidade.

4. Planeje e coloque em prática estratégias para alcançar seus objetivos

Crie objetivos desafiadores e procure avaliar constantemente suas atitudes e de como estas têm ajudado a atingir seus propósitos. É importante também que desenvolva competência na administração do seu tempo, conseguindo colocar-se como responsável por suas escolhas, priorizando as iniciativas de forma eficaz. Valorize-se e mantenha o foco!

*Virgínia Gherard, colunista do Na Prática, é consultora em gestão de pessoas e possui expertise em desenvolvimento de lideranças e equipes de alta performance. É psicóloga e doutoranda pela Universidade do Minho, em Portugal. Tem 26 anos de carreira construídos em grandes empresas, formação internacional em coaching e leciona nos cursos de pós-graduação e MBA da PUC e da Fundação Dom Cabral.

* Este texto foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal da Fundação Estudar

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