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São Paulo - Mesmo com a importância do cargo, há divergência sobre o perfil do profissional e as competências essenciais para a função. É inevitável ser bom comunicador, estrategista e carregar em sua trajetória passagem por algum órgão do governo, ou que tenha ao menos construído base de relacionamento nas três esferas do poder.
Advogados, economistas, administradores e relações-públicas são os mais bem cotatos para o posto. Para esse cargo, a experiência conta muito mais do que o currículo acadêmico. outro movimento que impulsiona a procura pelo relações-governamentais é a obrigatoriedade das companhias que fizeram IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) de ter alguém apto a lidar com o governo — um dos stakeholders com quem elas têm de se comunicar e dar satisfações periódicas.
"É uma posição com forte demanda nos últimos três anos, tanto por empresas que abriram capital quanto pelas que têm que se relacionar com Anvisa, Anatel, Anac e outros órgãos reguladores", diz Maria Eugênia Bia Fortes, sócia da Spencer Stuart, especializada no recrutamento de altos executivos.
Caminho longo A depender do tema em discussão, o caminho a ser percorrido pelo relações- governamentais para atingir seus objetivos pode ser longo. Fábio Acerbi, de 37 anos, diretor dessa área na Kraft Foods, lembra que alguns assuntos, como transgênicos, política de resíduos sólidos, publicidade de alimentos com alto teor de sódio e açúcar, além de gordura trans, costumam dividir opiniões. "Às vezes, levamos mais de um ano percorrendo o Congresso Nacional, os ministérios, a Conar e a Anvisa para estabelecer discussões que atendam aos anseios da sociedade, sem comprometer nosso desempenho", diz o executivo.
A Kraft possui esse profissional em praticamente todos os países em que opera e a função é vista como altamente estratégica. Fábio é formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pósgraduado em processo civil. Em sua trajetória profissional, passou pelas áreas financeira e jurídica de várias empresas. Hoje, coordena uma equipe de três pessoas, todas com perfil multidisciplinar e com formação diversa (direito, relações internacionais e relações públicas).
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