São Paulo – O pacote que trouxe a geração Y ao topo das companhias tratou de fazer uma revolução na maneira como as relações se dão no ambiente de trabalho. Não é por acaso, por exemplo, que o clima mais informal seja quase regra, hoje, dentro das empresas.

Apesar desse tom mais próximo das relações de carreira , o ambiente corporativo exige limites e alguns cuidados no trato com as pessoas. Confira quais são os deslizes mais comuns neste aspecto, segundo especialistas:

1. Atrasar-se

“As pessoas estão sobrecarregadas e, por trabalhar demais em determinada atividade, se sentem confortáveis em não ser pontual”, diz Ariadne Tomczak, headhunter da De Bernt Entschev Human Capital.

As justificativas para chegar atrasado podem ser inúmeras, mas sempre “isso será uma falta de respeito perante a outra pessoa”, diz a especialista.

2. Não desgrudar os olhos do celular durante reuniões

Os recursos digitais limaram as desvantagens das distâncias da realidade corporativa. Hoje, é possível estar em uma reunião enquanto envia instruções para um subordinado na sala ao lado ou em outro país.

Mas atenção: “Quando as pessoas estão reunidas, elas tem um objetivo. Se você estiver lá, esteja de verdade”, diz Ariadne. Se realmente precisar resolver outra questão, peça licença, sai da sala e atenda ao celular ou responda o e-mail.

Cuidado também com conversas paralelas, risadas e, pasmem, troca de bilhetes durante reuniões. “Esse tipo de postura dá a impressão de que você está em uma sala de aula, não no ambiente de trabalho”, diz a consultora de imagem corporativa Renata Mello.

3. Fazer brincadeiras preconceituosas

Todo mundo gosta de brincar com o time alheio ou de contar a última piada “super criativa” sobre loiras. Lembre-se: o  respeito deve ser palavra de ordem no ambiente de trabalho - independente do seu grau de intimidade com o colega de trabalho. Dica básica: lime todo tipo de brincadeira preconceituosa do seu repertório de bom humor corporativo.

Cuidado também para não expor seus colegas. Ele chegou atrasado? Não aponte para o relógio ou diga “Boa tarde” explicitando para a companhia inteira que, naquele dia, ele perdeu hora.

4. Dar broncas – na frente de terceiros

“Quando você divergir com alguém, lembre-se que ele não é seu irmão ou sua esposa”, diz Renata. “É desagradável chamar a atenção na frente de outras pessoas. Ninguém é obrigado a ouvir os gritos e berros de insatisfação do outro”.

5. Interromper reuniões

Tem uma demanda que deve ser prontamente atendida? E a pessoa chave para resolvê-la está em reunião? Seja sutil. “Há pessoas que entram na sala sem bater. O ideal é pedir licença e entrar devagar”, aconselha Renata.

6. Pressionar

É fato que, em alguns momentos, todo seu trabalho depende da boa vontade de outra pessoa, para qual a tarefa nem é tão importante assim. Pode ser até que este descompasso de prioridades esteja empacando toda a sua agenda.

Mas, atenção: isso não é justificativa para ficar no pé da pessoa. Ou em outras palavras, atormentá-la até que tenha o que você quer.
“Nessa ansiedade de querer resolver o problema, lembre-se que a outra parte também está trabalhando e que ela tem as próprias prioridades”, diz a especialista. “É preciso respeitar os prazos”.

Enviou um e-mail pela manhã cobrando uma resposta? Espere até o meio da tarde para ligar pedindo uma resposta. De maneira delicada e discreta, claro. “Não fique ligando de hora em hora”, diz Renata.

7. Interromper a conversa de terceiros

Ou não deixar ninguém terminar uma sentença. É consenso: cortar conversas ou frases de terceiros é um ato claramente indelicado.
Mesmo assim, seja por um impulso ou força do hábito, muitos profissionais seguem monopolizando diálogos e impedindo que outras pessoas se expressem na mesma medida.

“Temos que aprender a escutar”, diz Renata. Se cortar por impulso, “peça desculpas e retorne a palavra para a pessoa”.

8. Manter olhares indiscretos (ou malandros)

Trabalho é trabalho. E profissional nenhum deveria agir como se estivesse em um bar, diz a especialista. Mas há quem se esqueça dessa realidade e faça de todo esbarrão um pretexto para flerte.

Aqui, explica a especialista, o problema não é se interessar por um colega de trabalho. “É o hábito de lançar olhares para homens ou mulheres de uma maneira ‘sacana’ para testar o próprio sex appeal”, explica. E, como consequência, desrespeitar o outro.


Mesmo quando isso não estiver em pauta, seja discreto com a maneira como você olha para as outras pessoas. “Se você está avaliando o visual do outro, seja sutil”, diz.

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