Cuidado: Você pode estar sofrendo com o mau humor do seu colega de trabalho.

Se você já sentiu alguma vez como se tivesse absorvido o humor de um colega de trabalho ou membro da família, provavelmente não foi obra de sua imaginação.

As emoções podem ser transmitidas mais facilmente do que gripe ou resfriado — mais rápido do que um piscar de olhos!

Pesquisas revelaram que emoções positivas, como entusiasmo e alegria, bem como as negativas, como tristeza, medo e raiva, são facilmente transmitidas de pessoa para pessoa, muitas vezes sem percebermos.

O contágio emocional ocorre em questão de milissegundos e depende de um instinto incrivelmente básico, até mesmo primitivo: durante uma conversa, os seres humanos tendem naturalmente a imitar as expressões faciais de suas companhias, bem como a postura, linguagem corporal e ritmo da fala, sem estar conscientes disso, explica John T. Cacioppo, professor de psicologia e diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade de Chicago.

Quando se trata dessa dinâmica macaco vê, macaco faz, “quanto mais expressivo alguém for, mais provavelmente você irá notar aquela expressão e imitá-la”, diz Cacioppo.

“As fibras musculares em sua face e corpo podem ser ativadas sem o seu conhecimento, em níveis muito inferiores do que se você estivesse realizando esses movimentos.”

Em seguida, esses movimentos musculares aumentados acionam o sentimento real no cérebro ao ativar os neurônios-espelho — “um grupo específico de células cerebrais que são capazes de [fornecer a base para a] empatia e compaixão”, explica Judith Orloff, psiquiatra da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e autora do livro Emotional Freedom: Liberate Yourself from Negative Emotions and Transform Your Life (Liberdade Emocional: Liberte-se das Emoções Negativas e Transforme Sua Vida).

Segundo Orloff, os neurônios-espelho evocam a emoção como se você mesmo a estivesse sentindo naturalmente.

Outro fator que contribui para essa transmissão das emoções: a maneira pela qual as pessoas se expressam através do tom de voz e pelas palavras que escolhem.

Durante uma conversa, os indivíduos costumam igualar a carga emocional das palavras escolhidas — particularmente quando se trata de usar palavras carregadas negativamente como “ódio”, “raiva” ou “triste” — com qualquer pessoa com a qual estejam falando, de acordo com uma pesquisa de 2014 da Universidade Estadual de Oregon.

“A comunicação requer a correspondência de palavras e conteúdos específicos, de modo que as pessoas possam se entender”, afirma o coautor do estudo, Frank Bernieri, professor associado de psicologia da Universidade Estadual de Oregon.

“Então é possível ver como a linguagem usada pode comandar parte desse processo de contágio.”

O grau em que as pessoas se tornam emocionalmente sincronizadas depende, em parte, do nível de intimidade do relacionamento entre elas.

Um estudo publicado em 2014 pela Universidade da Califórnia-San Francisco mostrou que as experiências estressantes das mães contagiam seus bebês. E um estudo de 2012, da Finlândia, revelou que a depressão é altamente contagiosa entre adolescentes de um determinado círculo social.

Os altos e baixos do contágio emocional

Independentemente de onde aconteça, em casa, no trabalho, na escola, em uma reunião social ou evento esportivo, essa dança comunicativa é altamente adaptável, dizem especialistas. Por um lado, captar as emoções de outras pessoas ajuda a entendê-las melhor.

Também permite que você se conecte em um nível emocional muito básico ao promover empatia, e também tem valor de sobrevivência, observa Cacioppo.

Por exemplo, ser capaz de absorver o medo ou sentido de alarme pode alertá-lo sobre um perigo iminente, como um caminhão fora do controle vindo em sua direção.

Se existe alguém que conhece o poder positivo dessa dinâmica é Darlene Batrowny, de 55 anos, autora de livros infantis e especialista em desenvolvimento infantil, que divide seu tempo entre Washington D.C. e Nova York.

Numa manhã de sábado, em dezembro, Batrowny estava se sentindo desorientada e irritada enquanto se preparava para seu encontro quinzenal via Skype realizado com seu grupo mastermind (profissionais que se ajudam debatendo ideias e oferecendo apoio enquanto buscam objetivos pessoais); o coletivo inclui pessoas dos EUA, México e Reino Unido.

Naquele dia, uma mulher do México contou para todos no grupo que teria de desligar mais cedo porque tinha uma entrevista de emprego, e por isso foi a primeira a sair.

Quando ela começou a falar, “pude sentir minha energia aumentar instantaneamente — a emoção e animação em sua voz eram totalmente contagiantes”, lembra Batrowny.

“Minha sensação de cansaço e mau humor deu um giro de 360 graus [sic], embora eu estivesse tão longe. Saí da ligação naquele dia com muita energia e segui em frente para um dia muito feliz e produtivo.”

Mas, às vezes, as emoções transmitidas não são tão úteis. Em um emprego anterior, Melissa Masters tinha uma colega de trabalho que criticava duramente as ideias ou opiniões de outras pessoas, caso não concordasse com elas.

“Seus braços estavam sempre cruzados, e ela apertava os lábios quando não concordava com elas”, lembra Masters, de 28 anos, que agora trabalha como assistente de relações públicas em San Diego, na Califórnia.

“Geralmente sou positiva, uma pessoa feliz, mas sua atitude me contaminava — quando estava ao lado dela, sentia que a negatividade crescia dentro de mim, e me via colocando defeito nas coisas em vez de incentivar e oferecer sugestões alternativas.”

Acredite ou não, até a solidão pode ser contagiosa. Uma pesquisa divulgada na revista Personality and Social Psychology revelou que a solidão tende a ocorrer em núcleos — ou seja, pessoas solitárias costumam estar ligadas a outras que são solitárias em grupos sociais — e o fenômeno se estende até três graus de separação dentro da rede social.

No entanto, um estudo de 2009, baseado em dados do Framingham Heart Study, também mostrou que pessoas não solitárias que passam tempo com solitários tendem a se sentir sozinhas ao longo do tempo.

“A solidão se espalha mais facilmente entre mulheres do que entre homens, e isso é verdade tanto para amigos quanto para vizinhos”, observa Cacioppo, um dos autores do estudo.

Absorvendo as emoções certas

Geralmente, as pessoas não se importam em ser contaminadas pela animação, entusiasmo ou bom ânimo de outra pessoa. “É por isso que é importante escolher pessoas positivas [para estar perto] — é um bom remédio”, diz Orloff, da UCLA.

Por outro lado, poucos de nós querem mergulhar nas emoções desagradáveis ou negatividade de outra pessoa, como se fôssemos esponjas. Felizmente, existem maneiras de se proteger contra esse tipo de contágio. Para isso, pode ajudar:

1. Rastreie a emoção até sua fonte original. “Você pode se perguntar: ‘Estou me sentindo triste naturalmente ou porque tenho estado rodeado de pessoas tristes?’”, sugere Cacioppo.

Reconhecer a quem pertence a emoção por direito pode ajudar a interromper essa transmissão.

2. Manipule sua linguagem corporal. Como as emoções são normalmente absorvidas ao imitar as expressões faciais e linguagem corporal das pessoas, tente manter uma expressão neutra facial e uma postura relaxada quando você está com alguém que está tenso ou com raiva, diz Cacioppo.

Também ajuda evitar olhar nos olhos das pessoas, acrescenta Orloff.

3. Reconheça seus limites. Quando você sentir que está absorvendo muita ansiedade, tristeza, irritabilidade ou negatividade de alguém, “tome nota, mas não entre em pânico”, aconselha Orloff.

Em vez disso, respire profundamente, focando em exalar a negatividade. “Ou visualize uma proteção invisível à sua volta, de modo que apenas emoções positivas possam entrar e as negativas sejam repelidas”, sugere Orloff.

Se isso não ajudar, puxe a válvula de escape saindo de cena ou fazendo uma pausa (mesmo se for para ir ao banheiro para se recompor). Pense nisso como uma forma de fazer seu próprio resgate emocional.

Você Está Absorvendo as Emoções de Outras Pessoas? foi publicado originalmente em inglês no site U.S. News & World Report.

Tópicos: Ambiente de trabalho, Bem-estar, Comportamento, Pesquisas, Saúde