A Netflix anuncia nesta terça-feira (7) que busca um funcionário no Brasil para ajudar a melhorar o seu sistema de recomendação. A vaga é para o cargo de “tagger”, pessoa que tem a tarefa de escolher as melhores palavras-chave (tags, em inglês) para descrever os filmes e séries do serviço.

O contratado terá acesso aos títulos antes de eles entrarem no ar e poderá trabalhar em casa em horários flexíveis. “Algumas pessoas fazem o trabalho à meia-noite, outras fazem ao meio-dia. É muito flexível”, disse Todd Yellin, vice-presidente de inovação em produtos da Netflix, em entrevista à INFO. “Para mim, é o trabalho mais encantador que você pode ter no planeta.”

As “tags” são a base do sistema de recomendação da Netflix. Elas são usadas pelos algoritmos do serviço para definir quais são os filmes e as séries que mais se enquadram no perfil cada usuário, de acordo com o que ele já assistiu. Se alguém costuma ver dramas que incluem, por exemplo, “policiais corruptos”, a Netflix passa a exibir filmes marcados com a mesma palavra-chave entre os primeiros da lista.

Cada filme ou episódio chega a ter entre 20 e 40 tags. Por isso, o “tagger” precisa ser alguém com sensibilidade para capturar detalhes das histórias. “Buscamos pessoas que tenham uma boa noção de narrativa, que entendam de filmes e programas de TV e que tenham um pensamento analítico com capacidade desconstruir o conteúdo”, disse Yellin, que trabalha há 9 anos aprimorando o sistema de recomendação da empresa. Ao todo, são quase mil tags disponíveis para descrever os filmes.

De acordo com o executivo, o trabalho costumava ser feito por equipes nos Estados Unidos que tinham em mente uma audiência global. Mas, com o tempo, a Netflix percebeu que era necessário acrescentar descrições locais, com expressões que se encaixassem no gosto e na cultura de cada país. “Hoje as tags no Brasil são globais, mas podem haver diferenças sutis. O tagger vai justamente olhar se as palavras fazem sentido. Por exemplo, o que é ‘engraçado’ para um americano, um norueguês, um mexicano é também engraçado para um brasileiro?”, diz Yellin. “Queremos entender melhor as sutilezas linguísticas.”

O trabalho vai se concentrar nos novos lançamentos da Netflix, mas eventualmente será necessário revisar filmes que já estão no ar. O “tagger” terá acesso a uma ferramenta especial para marcar as palavras-chave de cada filme, o que costuma levar entre 45 minutos e 1 hora depois que o conteúdo é assistido. Além das palavras-chave, o tagger também define – em escala de 1 a 5 – o nível de cenas de violência, sexo, entre outras características.

Ainda não há uma data definida para o início do trabalho, mas a estimativa é que não passe de junho ou julho. O salário não é divulgado.

A empresa publicou um vídeo sobre a contratação:

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