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Um dia depois de sua formatura em psicologia na Universidade Comunitária de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande Sul, Débora Noal, hoje com 30 anos, colocou uma mochila nas costas e despediu-se da família sem saber para onde iria.
Depois de passar por várias cidades do País, um conhecido a apresentou aos Médicos Sem Fronteiras (MSF). "Pensei: 'É isso que eu quero para a minha vida'." Débora foi para São Paulo e fez todos os rigorosos testes para pertencer à ONG. Por mais de seis meses não teve retorno.
Até que um dia a psicóloga recebeu uma ligação. Na época com 27 anos, a gaúcha doou a gata e os móveis para os vizinhos e trocou o cargo de coordenadora com um salário estável e a cobertura de frente para o mar onde morava por sua mochila. Partiu numa equipe de emergência após um furacão no Haiti.
Hoje, Débora traz dez missões em seu currículo. Nesses lugares, é responsável pelo atendimento psicológico de vítimas de catástrofes naturais, de conflitos armados e de zonas de guerra com refugiados. "A gente não sai sem dor, mas aprende a conviver com ela. Tem que se remendar a cada dia", diz, sem perder o brilho no olhar. Por isso, a mochila está sempre pronta num canto do apartamento em Brasília esperando a próxima missão.
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