São Paulo - Foi-se o tempo em que o varejo era considerado um setor não profissionalizado e tinha dificuldade em atrair executivos de outros setores do mercado. “Havia preconceito, mas isso mudou e hoje o trânsito de executivos entre a indústria e o varejo é bom. A indústria vê com bons olhos profissionais que vêm do varejo pelo perfil de foco no consumidor, por exemplo”, diz Tais Cundari, vice-presidente e sócia da Fesa, consultoria de busca e seleção de executivos.

A boa reputação e maior atratividade, no que diz respeito ao varejo farmacêutico por exemplo, é também resultado da desfragmentação e consolidação de grandes redes. Nos últimos anos surgiram a Raia Drogasil, Brasil Pharma e a DPSP (fruto da união das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo) e houve a chegada da americana CVS Caremark ao Brasil com a aquisição das Drogarias Onofre.

As fusões e aquisições trouxeram mais profissionalização, a começar por uma intensa troca de bastão nos comandos das empresas. De acordo com Taís, a contratação de diretores financeiros é uma das primeiras medidas de gestão tomadas por grandes empresas. “Querem trazer pessoas de confiança para cargos estratégicos, como o de CFO, que  é a pessoa que olha para última linha de resultados da empresa, para ver se é lucrativa ou não”, diz.

Na Fesa, a demanda de varejistas por diretores financeiros dobrou de 2014 para 2015, incluindo-se aí não só a redes farmacêuticas, mas também as de bens de consumo. Mais bem organizadas financeiramente, as empresas do varejo farmacêutico, pelo menos, estão sentindo poucos impactos da crise e por isso têm concentrado mais oportunidades profissionais do que outras companhias, atualmente, diz Tais.

A vida mais estressante, o envelhecimento da população e a busca por mais cuidados de saúde respondem pelo fôlego, segundo ela. “Diferentemente de outras empresas do varejo, as farmacêuticas estão olhando para expansão, negociando novos pontos comerciais e de olho de oportunidades de compra de redes menores”, diz.

Além de diretores financeiros, executivos das áreas de tecnologia da informação, supply chain, operações e de recursos humanos estão entre os profissionais que encontram mais oportunidades. O ciclo de vida dos presidentes nas empresas também está mais curto.

Habilidade de negociação é a característica em destaque sempre

Saber negociar, influenciar, persuadir e liderar grandes equipes é o ponto de partida para se dar na carreira no varejo farmacêutico que segue com boas oportunidades em 2016, segundo a vice-presidente da Fesa.

Os perfis buscados podem variar de acordo com o momento da empresa, mas habilidade de negociação é um dos pontos comuns e imprescindíveis, assim como boa formação e competência técnica.

“Em uma fusão executivos atentos à sinergia, que pensam em como integrar culturas diferentes da forma mais suave, com forte perfil voltado a pessoas, são mais procurados”, diz.

Em companhias que já ultrapassaram esta fase, as oportunidades se abrem para executivos com foco em expansão da rede, direcionado a crescimento e a resultados financeiros. Já em épocas de turnaround, a procura é maior para executivos hábeis em cortar custos”, explica Tais. 

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