Um vídeo de Milton Friedman no Youtube começou a passar em um telão na frente de 14 alunos de uma escola de negócios em uma manhã de 2015.

Antes de a professora apertar o play, ela se virou para a classe.

“Meu objetivo ao mostrar isso para vocês é afirmar que Milton Friedman está certo e que vocês têm que memorizar tudo o que ele disser?”, ela perguntou.

Da sala veio um coro bem forte de “Não”. A professora, Donna LaSala, concordou. “É apenas uma opinião entre muitas”, disse ela alegremente.

Os alunos na sala de aula eram todos candidatos a mestres em administração de empresas na Presidio Graduate School, uma instituição de 150 alunos em São Francisco, nos EUA, que se apresenta como uma alternativa progressista aos MBAs tradicionais.

A escola oferece um MBA em gestão sustentável, uma certificação adaptada para pessoas que querem usar o mundo dos negócios para “criar um mundo mais justo, próspero e sustentável”, segundo a declaração da missão da escola.

Em teoria, muitas escolas de negócios perseguem essa missão, oferecendo aulas sobre sustentabilidade e ética e divulgando seus esforços para recrutar um corpo docente e discente mais diversificado.

No entanto, muitos argumentam que os programas de alto nível ainda não atingiram seu objetivo de preparar líderes éticos ou diversificar suas salas de aula.

As mulheres representavam 29 por cento dos formandos em escolas de negócios em 2015, e negros, hispânicos e índios americanos somavam 15 por cento, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg com mais de 9.000 alunos que se formaram em 2015.

Depois que vários MBAs de alto nível foram relacionados a tráfico de influência e outros maus comportamentos na esteira da crise financeira, pesquisadores das melhores escolas de negócios criaram uma coalizão dedicada a promover uma formação ética mais ampla em suas instituições.

Enquanto outras escolas de negócios trabalham para expandir seu alcance e eliminar o estigma de “clube do Bolinha” (com algum sucesso – dados da Bloomberg mostram que a proporção de mulheres nas escolas de negócios aumentou seis pontos porcentuais desde 2007), a Presidio se assemelha à escola que eles dizem que estão tentando ser.

Na turma de MBA atual as mulheres representam 56 por cento dos estudantes e 90 por cento dos diplomados da escola trabalham com sustentabilidade, de acordo com o presidente da Presidio, William Shutkin. Isso pode significar investimento de impacto, trabalhar dentro de uma empresa de serviços na carteira de renováveis ou em um negócio tradicional de supermercado com fontes alimentares sustentáveis.

Mas a escola sacrificou prestígio e financiamento em busca de sua visão. A Presidio cobra US$ 65.520 no total, cerca de 52 por cento do que cobra uma escola de negócios melhor classificada, e seus graduados ganham um salário médio de US$ 80.625, comparado com os US$ 120.000 ou mais que alunos de escolas de alto nível ganham depois de formados em 2015, mostram dados da Bloomberg.

Lutar para crescer

Com graduados menos abastados, a escola não pode arrecadar muito de ex-alunos para complementar a receita das matrículas. A Presidio consegue 80 por cento de seus US$ 4,5 milhões em receitas anuais da matrícula e o resto de subvenções. Shutkin disse que a escola está desesperadamente tentando crescer.

A Presidio permaneceu solvente por conseguir manter as despesas baixas, disse Shutkin: os alunos passam a maior parte do tempo de curso fora do campus e vão às aulas apenas uma vez por mês.

A escola tem um pequeno núcleo de professores, aluga todos os seus edifícios e não gasta dinheiro em coisas como jantares pós-exame e festas de fim de semestre – comuns em outras escolas de negócios. A empresa expandiu lentamente seu corpo discente, de 22 alunos em 2003 ao máximo de 250 em 2011, pois seu nome começou a ser mais conhecido nos círculos de jovens que procuram fazer do capitalismo uma força para o bem.

Frank Teng, estudante de meio-período na Presidio, disse que as pessoas que são atraídas para o caminho alternativo que ele escolheu são simplesmente diferentes das da maioria dos MBAs.

“Ao entrar na Presidio você já está fazendo uma declaração. Todas as melhores escolas de negócios são parte do problema, ao criar os desafios que enfrentamos atualmente”, disse Teng.

Ele escolheu a Presidio, diz, porque quer “trabalhar dentro do sistema” ao invés de protestar contra ele. Teng passou os últimos sete anos trabalhando em sustentabilidade na Jones Lang LaSalle, imobiliária comercial, mas muitos de seus colegas de classe vêm do ativismo e não têm raízes corporativas.

O currículo da Presidio os ajuda a aprender a falar a uma multidão que poderia vê-los como estranhos. “Tem a ver com compreender as questões a ponto de ser capaz de falar de forma convincente e persuasiva para [essa] plateia, de transmitir sua paixão”, diz Teng.

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