São Paulo – Em um mercado dinâmico como o financeiro é natural que a competitividade aflore e esta característica é vista com bons olhos no perfil de um profissional, segundo Vanessa Lobato, VP da área de recursos humanos do Santander.

“É um mercado mais agitado nervoso, precisa de gente com esse perfil – como as pessoas falam – de mais faca nos dentes”, afirmou em entrevista à EXAME.com, na sede do Santander em São Paulo.

Mas, diz ela, o que faz mesmo a diferença para o sucesso na carreira em qualquer uma das muitas áreas do banco é a capacidade de entrega de resultados. Outro ponto importante e que ajuda quem quer crescer profissionalmente, segundo a executiva, é a disposição para sair da zona de conforto. E ela fala com o conhecimento de causa de quem empreendeu uma mudança radical de carreira dentro do próprio Santander.

Confira trechos da entrevista, em que ela fala da sua carreira, do que busca saber quando entrevista executivos, do perfil ideal e de um dos principais atrativos do Santander para os jovens que são as oportunidades globais de carreira no banco:

EXAME.com: você entrou no banco como gerente geral de uma agência em Recife e hoje é VP da área de recursos humanos. Como foi a trajetória no banco?

Vanessa Lobato: entrei no banco em 1999, ainda era o começo da operação no Brasil. Só tinha uma agência em Recife. Acreditei no projeto. Depois assumi como superintendente regional, cuidava de Minas Gerais, Goiás, Brasília e Nordeste, uma região geográfica grande. Fui crescendo e assumi como  superintendente de rede, cuidando de uma região importante que é o Centro Sul de São Paulo. Fiquei cuidando da operação, sediada em Campinas e há dois anos vim para a área de recursos humanos, como diretora. E em 2015, assumi como VP de RH.

EXAME.com: você já chegou como diretora de recursos humanos e ainda não tinha trabalhado na área. Como foi a mudança de carreira?

Vanessa Lobato: há coisas que ficam tão evidentes no perfil da gente. Eu brinco que tiveram alguns “namoros” com o RH antes desse convite, em outro banco também aconteceu. Mas, na época, era outro momento de carreira e a coisa não se concretizou. Dessa vez, a flechada foi no peito. A gente tem incentivado job rotation aqui no banco. Em uma recente pesquisa, os funcionários reconhecem que a mobilidade interna está mais forte. O que tem estimulado as pessoas é a chance de sair da zona de conforto. Você está há anos em um negócio que você conhece e opera bem. Aí tem um convite de uma área completamente diferente.

EXAME.com: você saiu da sua zona conforto também. O que foi mais difícil?

Vanessa Lobato: sair da zona de conforto faz você crescer. Claro que tem sempre um risco de não dar certo, mas há que se correr algum risco na vida. Para mim, foi bem desafiador. A questão de ser tudo novo foi o mais difícil. O modelo de trabalho é diferente da operação porque é uma área central que atende o banco como um todo. Eu estava em um lugar em que tudo era conhecido e fui para um lugar em que era tudo novo: a forma de trabalhar, a equipe, a cidade, a função, a posição, a articulação. Porque é uma área em que é preciso articular muito internamente. Todos os dias dá aquele friozinho e eu acho que isso faz bem.

EXAME.com: O que foi preciso para dar certo?

Vanessa Lobato: você precisa ter muita humildade para aprender. O líder não tem que saber tudo, tem que ter a humildade de aprender com a sua equipe, humildade de aprender com o chefe. Humildade abre portas, enquanto a arrogância fecha. E falo de humildade no sentido mais genuíno da palavra: ouvir, perguntar. Quando você chega em uma área nova, tem o benefício do não conhecer, de poder perguntar tudo. Eu acho que é um ganhopara a organização, porque você começa a questionar porque as coisas são feitas daquela maneira. E eu acho que esse convite que foi feito a mim trouxe um recado do banco a respeito da importância da operação, da rede de agências. Acho que essa conexão foi muito bacana. Tenho na veia essa preocupação com o cliente, de cuidar, de dar retorno, porque estive na operação.

EXAME.com: Que pergunta você geralmente faz quando entrevista um executivo?

Vanessa Lobato: Quando ouço frases feitas em relação a defeitos, tanto em entrevistas externas como internas, pergunto quais são, em geral, os pontos de melhoria que aparecem nas avaliações do seu desempenho. Tem coisa que está na natureza. Uma pessoa que é mais autoritária vai aprender a conviver com isso. Será que a pessoa muda de verdade? Não, ela aprende a conviver, a se controlar e a maturidade ajuda. Alguém com perfil autoritário, mais agressivo, aos 20 anos, quer conquistar o mundo, aos 25, atropela. Mas essa mesma pessoa com 40 anos, já atropelou, já apanhou. É muito legal quando um executivo reconhece. Quando pergunto e falam “eu acho que antes eu era insuportável” digo que é muito bom ouvir esta franqueza, já me ganhou porque está admitindo e vai saber trabalhar isso. É um mercado competitivo, é natural que isso aflore.

EXAME.com: É mais natural que a agressividade e competitividade aflorem no mercado financeiro?

Vanessa Lobato: Agressividade acho que não, mas é natural que a competitividade fique mais marcada. Não é nem só pela competição da concorrência, é pelo dinamismo do mercado financeiro. Uma medida tomada hoje na Europa afeta aqui, a mudança de câmbio afeta. É naturalmente um mercado mais agitado, nervoso e  que precisa de gente, como falam, com faca nos dentes e isso incentiva. A gente precisa de gente com esse perfil.

EXAME.com: Que mais há no perfil de quem se dá bem no mercado financeiro?

Vanessa Lobato: Temos pessoas com formações muito boas, com background muito interessante. O que faz a diferença no nosso banco - prefiro falar do Santander, que está dentro do mercado financeiro - é a execução, a capacidade de entrega. Às vezes tem uma pessoa com uma formação espetacular e um perfil bom, mas que não consegue entregar. O Santander tem vários bancos dentro dele: varejo, a financeira, o atacado, private. Mas em todos eles eu diria que há um traço comum que é a capacidade de entrega. Por isso que eu também gosto de perguntar nas entrevistas qual é o legado do executivo.

EXAME.com: O que você quer saber com esta pergunta?

Vanessa Lobato: Esse legado são as entregas, o que marcou. Claro que uma universidade de primeira linha no currículo conta porque mostra capacidade intelectual, mostra capacidade técnica. Mas quero ouvir o que a pessoa viveu. Tem gente que trabalha, trabalha e trabalha e não percebe qual o legado que deixa. Outros já tem isso bem claro e dizem, por exemplo: cuidava de uma carteira de tantos clientes, conquistei outros tantos, o nível de satisfação dos clientes saltou de x para y. Isso ajuda muito.

EXAME.com E na hora de selecionar os jovens o que é importante avaliar?

Vanessa Lobato: O que a gente incentiva é ter o DNA que combine com o da organização. Temos uma lista de nove comportamentos que buscamos. Os oito primeiros são globais e o nono é específico do Brasil. São eles: sou respeitoso, escuto de verdade, falo claramente, cumpro as promessas, promovo colaboração, trabalho com paixão, apoio as pessoas, promovo a mudança e entrego resultados. 

EXAME.com: Quais são as ofertas internacionais de carreira que o Santander oferece?

Vanessa Lobato: Na nossa intranet, as pessoas podem se candidatar às vagas internacionais no grupo a qualquer hora por meio desta plataforma. É tão concreto quando isto. Além destas vagas publicadas temos programas internacionais. Em 2015, lançamos o Talent in Motion (TiM) para os jovens de todos os países. São selecionados de três a cinco jovens por país que serão mandados a outros países, por no máximo dois anos, e, além das atividades que vão desenvolver, receberão uma formação. É como um programa de trainee só que interno, para funcionários. E é um programa meritocrático, não basta ser jovem e querer. São selecionados os que mais entregam. Que têm fluência em inglês e espanhol. No banco, a meritocracia vai muito além do pagamento de bônus. Em todos os programas há este olhar. Outro programa internacional é o Mundo Santander, que é uma experiência de intercâmbio de curta de duração que promove a troca de experiências e disseminação das melhores práticas dentro do banco.

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