São Paulo - Tempos atrás, a economia brasileira estava aquecida e setores tidos como tradicionais de engenharia - construção, energia, petróleo e gás - possuíam grande demanda de profissionais e altas remunerações.

Mais recentemente, com a retração econômica e os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e grandes construtoras, os investimentos caíram, o mercado se desvalorizou e o número de projetos diminuiu.

Após dez anos de crescimento, estas áreas ‘tradicionais’ da engenharia foram justamente as que mais sofreram com a crise. Segundo o gerente da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Roberto Saldanha, esses setores foram afetados por muitos cortes de investimento, fato que resulta em menos contratações, sobretudo, na área de projetos.

Diego Barbosa, consultor de recrutamento da Kelly Brasil, afirma que algumas áreas estão retomando o crescimento aos poucos. “Temos mercados que estão aquecendo devido à alta do dólar, a exemplo do de engenharia química com foco em produção para o agronegócio”, explica.

Entre as estratégias para as empresas que estão cortando gastos e reduzindo custos, está a de aprimoramento dos setores de produção. Nesse caso surgem oportunidades para profissionais especializados em otimizações de processos.

Para Isis Borges, gerente de divisão da Robert Half, esse perfil de colaborador contribui para amenizar prejuízos com processos internos. “Dentro da área de engenharia vemos oportunidade para quem consegue trabalhar em metodologias e ferramentas para reduzir custos. Também existe demanda para quem coordena vendas técnicas, logística, planejamento e melhoria continuada”, diz.

As saídas para quem já está no mercado

Aceitar remunerações mais baixas ou buscar aprimoramento técnico são algumas das saídas apontadas pela gerente da Robert Half para engenheiros que querem seguir na área.

“Se o engenheiro gostar da área que atua recomenda-se que avalie aceitar uma remuneração mais baixa do que ele já havia alcançado como um recomeço para se recolocar”, aponta.

Diego Barbosa reforça a ideia de que, no momento atual, engenheiros devem buscar atualização. “Existem mercados que precisam ser alimentados com profissionais especializados”, diz. Barbosa também destaca que flexibilidade, domínio sobre outros idiomas e abertura cultural são habilidades importantes para se destacar.

E quem está começando a carreira?

No início de março a Escola Politécnicada Universidade de São Paulo (USP) recebeu 807 calouros em 16 cursos de engenharia, números que, segundo o presidente da comissão de graduação, Francisco Cardoso, representam a necessidade que o mercado ainda possui por esses profissionais. “Independentemente da crise, produtos que são resultado da engenharia precisam ser construídos. Olhando em um recorte de tempo maior, com a mudança do perfil da família, envelhecimento da população e outros fatores, teremos sim demanda em áreas como a da construção civil nos próximos anos”, afirma.

Apesar da afirmação de Cardoso, muitos estudantes já ampliam o olhar para outras áreas do mercado de trabalho. O estudante de engenharia civil, Gabriel Ribeiro é um deles e sentiu durante o estágio a redução de investimentos afetando as contratações no mercado de engenharia: “o escritório em que comecei a trabalhar tinha mais de 60 pessoas e em pouco tempo passou para próximo de 30”.

Quando demitido, assim como alguns colegas de curso, Gabriel procurou emprego em outras áreas. “Acabei ganhando uma oportunidade para trabalhar em um banco. Agora considero fazer uma pós-graduação em administração ou em finanças para continuar no setor bancário”, diz.

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