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Fundos | 12/07/2010 10:24

Dez características que valorizam um jogador de futebol

O empresário Wagner Ribeiro, que já trabalhou para Kaká e Robinho e hoje cuida da carreira de Neymar, explica por que não basta investir em um garoto bom de bola

O jogador Neymar, do Santos

Neymar, do Santos: jogador tem Wagner Ribeiro como agente

Wagner Ribeiro é hoje um dos principais procuradores de atletas profissionais do Brasil. O empresário capitaneou a transferência para a Europa de jogadores foras-de-série como Kaká (que foi do São Paulo para o Milan em 2003 por 8,5 milhões de euros) e Robinho (do Santos para o Real Madrid em 2005 por 30 milhões de dólares). São-paulino de coração, Ribeiro também tem em seu currículo negociações envolvendo Júlio Baptista, França, Fábio Aurélio, Ilsinho e Lulinha. Atualmente é o agente do goleiro Felipe e do atacante Neymar, ambos do Santos, e do meia são-paulino Marcelinho, que foi o principal destaque tricolor na conquista da última Copa São Paulo de Futebol Júnior. EXAME conversou com Wagner Ribeiro e com Humberto Paiva, um dos agentes FIFA que trabalha em sua empresa, e descobriu que para um jogador ser negociado com um clube europeu é preciso ser muito mais do que bom de bola. Times como Manchester United, Chelsea, Real Madrid ou Barcelona só vão desembolsar milhões de dólares por craques que tenham boa parte das dez características descritas abaixo:

1 - Ter passaporte europeu. Há vários países que impõem restrições severas para a atuação de jogadores brasileiros, que vão desde a limitação do número de estrangeiros que podem atuar em um único clube até a exigência de que o craque tenha em seu currículo passagem pela seleção brasileira. A Inglaterra, por exemplo, só contratou 7 dos 1.017 jogadores exportados pelo Brasil no ano passado. Para Portugal e Alemanha, foram 181 e 60, respectivamente. A principal explicação para toda essa diferença é que é as barreiras para o jogador brasileiro são muito maiores no futebol inglês. Há casos até de jogadores que chegaram a ser negociados com clubes estrangeiros, mas tiveram de voltar porque não conseguiram o visto de trabalho. Esse é o caso de Deyvid Sacconi, que deixou o Palmeiras com destino ao clube francês Nantes por cerca de 6,5 milhões de reais neste ano, não obteve o visto de trabalho e foi devolvido dias depois.

2 - Passar por um clube grande. Coritiba e Palmeiras protagonizaram duas transações emblemáticas que tiram qualquer dúvida sobre o peso de uma camisa no momento da transferência de um atleta. No início de 2008, o zagueiro Henrique deixou o clube paranaense rumo ao paulista. O negócio, que teve a participação da Traffic, parceira do Palmeiras, envolveu 6 milhões de reais. Cinco meses depois, Henrique foi vendido ao Barcelona por 10 milhões de euros. O atacante Keirrison trilhou caminho semelhante. A Traffic desembolsou 7 milhões de reais para transferir o jogador do Coritiba ao Palmeiras no início de 2009. Também após apenas cinco meses, o atacante foi para o Barcelona por 15 milhões de euros. Para Wagner Ribeiro, os dois jogadores nunca teriam sido vendidos por esses valores se tivessem continuado no Coritiba. Não que o clube paranaense não tenha estrutura nem tradição como celeiro de craques. Mas o Palmeiras construiu na Europa uma reputação de negociar excelentes jogadores. Além disso, jogar nos grandes clubes de São Paulo inclui ter maior visibilidade, disputar títulos importantes, aparecer na mídia o tempo todo e ser observado mais de perto por olheiros de clubes estrangeiros e da seleção brasileira.

 

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