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Crianças carentes: número de empresas brasileiras, de todos os tamanhos, que apoia comunidades e instituições é grande e crescente
São Paulo - No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de sete graus na escala Richter, no Haiti, causou a morte de 200 000 pessoas, deixou outras 300.000 feridas e fez mais de 1 milhão de desabrigados. Dois dias depois da tragédia, uma dupla de médicos do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, chegava a Porto Príncipe, capital do país, com a missão de encontrar um local que servisse de enfermaria improvisada e de preparar a chegada de três equipes do hospital, mais toneladas de equipamentos, remédios e materiais.
No dia 4 de fevereiro, 49 profissionais — médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e engenheiros —, que se voluntariaram a cuidar das vítimas, começaram a chegar ao país. Entre os que passaram pelo Haiti estão a enfermeira Débora Puntel, de 40 anos, e o infectologista Alexandre Marra, de 36 anos.
No acampamento montado em Porto Príncipe, o grupo paulista realizou um trabalho bastante diferente do que costuma desenvolver diariamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Einstein, um dos mais ricos e equipados hospitais do país. Na tenda onde os brasileiros trabalhavam, a temperatura chegava a 50 graus durante o dia. À noite, quando a energia elétrica acabava, o banho era de balde num banheiro aberto.
“Você precisa estar preparado para tudo”, diz Alexandre. O mais importante da experiência, diz ele, é perceber o quanto ela modifica sua visão do mundo. “Você começa a dar mais valor à sua vida e passa a considerar pequenos seus problemas de trabalho”, conta o médico. Como experiência pessoal, poucas atividades são tão enriquecedora como o trabalho voluntário — mesmo que você não receba dinheiro nenhum para fazê-lo. E não é preciso viajar ao Haiti para se engajar numa missão desse tipo.
O número de empresas brasileiras, de todos os tamanhos, que apoia comunidades e instituições é grande e crescente. O envolvimento de uma corporação numa ação de cidadania tem, evidentemente, um componente marqueteiro. Mas, em muitos casos, existe um interesse legítimo em ajudar e retribuir à sociedade da qual a empresa tira seu sustento. Mais importante, quem faz as empresas se mexerem são os funcionários. “Os profissionais estão mais engajados e querem conhecer as ações de cidadania que a companhia pratica para decidir se querem trabalhar nela”, comenta Enrique Soto, líder de sustentabilidade da consultoria Accenture.
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