* Escrito por Diogo Arrais, professor de Língua Portuguesa do Damásio Educacional

Que há de inadequado nestas expressões: "crêem", "lêem", "pêra", "estréia", "pára", "pólo"?

Desde 1º de janeiro de 2016, qualquer manifestação escrita em língua portuguesa será regida obrigatoriamente pelas novas normas do Acordo Ortográfico. Mesmo assim, a mudança (apenas gráfica) atingirá apenas 0,8% do total de palavras usadas no Brasil.

Em relação à acentuação, apenas os termos paroxítonos - com a tonicidade presente na penúltima sílaba - foram atingidos.
De agora em diante, todos os paroxítonos finalizados em -A, -E, -O (pluralizados ou não), -EM e - ENS não serão mais acentuados graficamente.

Antes, vocábulos como "beira", "cera", "veja" seguiam (e seguem!) a regra. No entanto, "pêra", "pólo", "pára", mesmo sendo paroxítonos, seguiam o princípio da acentuação diferencial.

Pensando na padronização, "beira", "cera", "pera", "polo", "para" seguem agora a mesma lógica: a regra dos paroxítonos.
Com o Novo Acordo, simplificou-se a acentuação gráfica: não há dúvida. Afinal, regra é regra.

Na minha opinião, a forma verbal "para" deveria ainda se diferenciar da preposição "para", a fim de se evitar ambiguidade. Como exemplo, há uma mensagem estampada no dicionário Aurélio: "O trânsito da alegria PARA a tristeza".

E agora? Verbo ou preposição? Alegria interrompe a tristeza ou alegria voltada à tristeza? Sem o texto e suas intenções, é realmente muito complicado entender.

Nenhuma reforma é perfeita, jamais será. Que o Novo Acordo Ortográfico possa trazer aos países de Língua Portuguesa união, estudos profundos e consulta popular.

Um grande abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – Damásio Educacional
Autor Gramatical pela Editora Saraiva

Tópicos: Dicas de Português, Gramática