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São Paulo - O despertador toca às 6 da manhã, no máximo, para os 299 alunos da escola do Teatro Bolshoi, em Joinville, santa Catarina. Logo cedo começa a maratona de aulas e treinamentos, que dura um turno inteiro e inclui estudos de música, história do balé, técnicas clássica e contemporânea, entre outras disciplinas da extensa grade curricular da instituição.
Não basta vontade para um candidato ingressar na escola. A técnica, a expressividade e o talento também são observados na seleção
No período oposto ao das aulas de balé, os estudantes, que têm entre 9 e 20 anos, frequentam a escola — para permanecer na companhia o aluno precisa comprovar desempenho escolar acima da média. Em funcionamento desde 2000, a unidade catarinense é a única fora da Rússia dessa famosa companhia de balé, fundada em 1763, em Moscou, pela imperadora Catarina II.
O ideal da escola brasileira segue a tradição do Bolshoi em seu país de origem: proporcionar formação e cultura por meio do ensino da dança para que os alunos se tornem protagonistas da sociedade. Longe da família e vivendo uma rotina dura, muita gente desiste.
Para os que ficam, no entanto, a promessa de educação de qualidade e profissionalizante se cumpre. "Um olhar ou um elogio do professor faz valer a pena o esforço de um dia inteiro de treino", diz Deise Mendonça, de 20 anos, ex-aluna e hoje bailarina da Companhia de Ballet de Santiago, no Chile. Não basta vontade para um candidato ingressar na escola.
A técnica, a expressividade e o talento também são observados, mas é fundamental que ele tenha um corpo compatível com as exigências do método vaganova (diz-se "vagânova"), ensinado na instituição, que une a busca da consciência corporal a elementos do balé francês tradicional e do balé italiano. Para um aluno conseguir render bem no método, precisa de algumas habilidades que dependem meramente da formação de seu corpo.
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