São Paulo – Não há salário que torne um expediente agradável quando o chefe é péssimo. Há dados empíricos que comprovam isso. É o caso de pesquisa realizada pela psicóloga Michelle McQuaid, indicando que 65% dos entrevistados consideram que um bom chefe traria mais felicidade do que um aumento de salário.

Mas como é o estilo de liderança do “bom chefe”. Quais são as competências fundamentais de quem sabe comandar muito bem uma equipe? É o que pesquisadores da Fundação Dom Cabral (FDC) foram investigar com 1.200 profissionais, grande parte deles em cargo de chefia.

“Não pedimos para que falassem deles mesmos, e, sim, de outros gestores”, diz Marta Campello, professora da FDC.
O resultado é uma lista com 5 competência fundamentais para quem comanda equipes. Confira:

1 Autoconhecimento

“É importante saber lidar consigo mesmo, não dá mudar eventos externos, mas é possível alterar a sua reação a eles”, diz Marta. Só assim, o profissional saberá lidar com os outros de maneira mais consciente, avaliando também o impacto de suas atitudes na equipe.

“Em graduações mais técnicas esse aspecto não é trabalhado e requer um aprofundamento”, destaca a professora da FDC. E para quem considera que já se conhece o suficiente, Marta faz uma ressalva: “jamais em tempo algum o ser humano vai ter um autoconhecimento completo porque está em desenvolvimento constante”, diz.

2 Desenvolvimento de pessoas

Por receio de tornar membros da equipe potenciais “concorrentes”, muitos chefes não investem no desenvolvimento de pessoas. “Muitos têm medo de o outro ser melhor do que ele”, diz Marta.

No entanto, falta a essas pessoas a percepção de qual é sua função dentro da organização. “O grande papel do líder não é formar bons seguidores, é formar novos líderes”, diz Marta.

Ou seja, além de buscar resultados por meio do trabalho em equipe, chefes precisam desenvolver habilidades para formar pessoas, e, na opinião de Marta, este é um dos pontos mais críticos.

“Estando em cargo de gestão, o principal elemento que se tem em mãos chama-se gente, então é fundamental interessar-se por gente”, diz Marta, lembrando que muitos profissionais deixam empresas quando por conta do mau relacionamento com chefes. “Não é só salário que faz uma pessoa ficar na empresa, o principal motivador é ter um líder que ajude as pessoas a despontarem”, diz.

3 Autocontrole emocional

Do autoconhecimento vem o autocontrole emocional e o profissional consegue se manter em condições de administrar adequadamente as diversas situações de conflito e tensão. “É um desafio para todos os profissionais, mas os gestores estão mais expostos a situações negativas”, diz Marta.
Uma reação descontrolada pode colocar a perder a reputação construída ao longo de toda a trajetória profissional. “Quando alguém perde as estribeiras, as pessoas fotografam e guardam aquela imagem”, lembra Marta.

4 Comunicação

Que já teve chefe com problemas de comunicação sabe a dificuldade que é trabalhar com gente assim. Expressar ideias com clareza e explicar tarefas com assertividade fazem toda a diferença para uma equipe.

Mas a boa comunicação, segundo Marta, não se encerra por aí. “Gestores têm mais preocupação em responder perguntas do que fazer boas perguntas”, diz a professora da FDC. Isso porque ao fazer perguntas o chefe estimula o pensamento crítico da equipe, segundo Marta. “Mas isso ainda é muito incipiente”, pondera.

5 Capacidade de inspirar

Ao provocar a reflexão, o chefe também dá um passo em direção a outra habilidade muito valorizada que a capacidade de inspirar a equipe. Credibilidade, respeito, humildade, determinação e otimisto são também palavras de ordem para quem deseja ser um chefe inspirador. E não adianta ficar só no discurso, já que é a ação que vai efetivar o seu poder de inspiração.

Agora confira o que Fernando Jucá, sócio da Atingire,  fala sobre aquele tipo de chefe que não faz nada, só delega:

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