Jovens engenheiros ainda querem emprego na Petrobras e Odebrecht?

A consultoria Universum perguntou para mais de 20 mil estudantes de engenharia do Brasil onde eles querem trabalhar

São Paulo – De 2014 para cá, o número de estudantes brasileiros de engenharia que enxergam na Petrobras a empregadora ideal vem caindo, mas não o suficiente para que ela deixe o posto de empresa mais desejada pelos futuros engenheiros brasileiros.

A pesquisa anual da consultoria Universum, publicada com exclusividade por EXAME.com, mostra que, dos 20.310 estudantes de engenharia entrevistados em mais 130 faculdades do Brasil, 28,6% citam a Petrobras como a empresa em que mais gostariam de trabalhar.

Em 2014, o percentual era bem maior e a empresa reinava absoluta no imaginário dos futuros engenheiros: 42,8% dos 15 mil estudantes diziam que a estatal era a empregadora ideal. Vale lembrar que desde 2010, quando a consultoria começou a fazer a pesquisa no Brasil, a Petrobras está no topo do ranking.

Mesmo apresentando essas estatísticas que provam a queda da atratividade da Petrobras, o diretor da Universum recebe o “hepta” da Petrobras com certa surpresa, assim como o terceiro lugar do ranking, que ficou com a Odebrecht, outra empresa atolada nos escândalos de corrupção, desvendados pela operação Lava-Jato.

“É especialmente desafiador entender já que essas empresas estão no centro da pior recessão já atravessada pelo país. Brasil está agora 8% menor do que estava em dezembro de 2014 e as taxas de desemprego são as piores em 20 anos”, afirma.

A crise, aliás,  pode ter influência na manutenção do primeiro lugar para a Petrobras e do segundo para o Governo Federal. A pesquisa mostra que a estabilidade (e segurança) no emprego é um atributo de carreira que perde em importância apenas para o equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, na opinião dos mais 67 mil jovens que participaram da pesquisa, aí também inclusos os estudantes de engenharia.

Procurada, a Petrobras não destacou um porta-voz para comentar o resultado da pesquisa, mas vale destacar que os benefícios, por exemplo, a que funcionários têm direito são bastante atrativos: plano de saúde (médico, odontológico, psicoterápico e benefício-farmácia), plano de previdência complementar, licença-maternidade de 180 dias, benefícios educacionais para filhos, da creche ao ensino médio (reembolso com despesas escolares).

“Quem errou já está sendo punido”, diz estagiária da Odebrecht

Daniel Villar, responsável por planejamento e pessoas da Odebrecht SA, diz que a pesquisa da Universum corrobora uma percepção interna na empresa. “Apesar da crise da reputação que sofremos nos últimos dois anos, a gente continua observando que o interesse em trabalhar na empresa não diminuiu. Os estudantes de engenharia ainda enxergam que a empresa tem um bom ambiente para o primeiro emprego”, diz o executivo.

Segundo ele, as oportunidades de desenvolvimento profissional, a quantidade de desafios e a possibilidade de experiência internacional são os principais atrativos da Odebrecht para os estudantes. A última seleção para o programa de estágio de férias da empresa, por exemplo, recebeu mais 20 mil inscrições.

“O que os jovens nos dizem é que conseguem separar a empresa das pessoas que tomaram as decisões erradas”, diz Villar destacando também a Odebrecht já fez a troca de gestão.

Os estudantes Agnes Brasil, de 21 anos, e Gabriel de Assis, de 24 anos, dois dos aprovados no concorrido processo seletivo, fazem essa distinção e contam que as oportunidades de desenvolvimento oferecidas falam mais alto do que qualquer crise de imagem.

“As pessoas que estão trabalhando aqui estão comprometidas em dar o melhor, não estão envolvidas em jogos políticos. Quem errou já está sendo punido”, diz Agnes, estudante do quarto ano de engenharia civil da Poli USP interessada em seguir carreira na área de infraestrutura.

A futura engenheira garante que não se arrepende de colocar a empresa em sua carteira de trabalho. “É uma empresa muito importante para o Brasil, já fez várias obras que melhoraram a qualidade de vida dos brasileiros”, diz a estudante foi designada para estagiar nas obras de ampliação da estação Santa Cruz do Metrô.

Agnes diz que é comum colegas perguntarem por que ela escolheu trabalhar na Odebrecht, por conta da crise de imagem da empresa. “Claro que ouvi essa pergunta, mas tudo o que aconteceu não tira o brilho. Duvido que iam recusar um estágio aqui”, diz ela que não hesita em dizer que faria carreira na companhia.

Na opinião, Gabriel de Assis, também estudante do quarto ano de engenharia civil só que da Universidade Federal de Viçosa, a Odebrecht continua no imaginário dos futuros engenheiros como ideal para começar a carreira porque oferece um plano robusto de desenvolvimento profissional para os jovens.

“As experiências de quem passou pelo estágio são positivas. A empresa dá valor aos estagiários, tem planejamento completo, você já chega com um cronograma definido para o estágio”, conta o estagiário, que está atualmente trabalhando na Usina do Baixo Iguaçu no estado do Paraná.

No programa de férias, os jovens podem ir trabalhar em obras que estão lugares mais isolados sem prejuízo das atividades acadêmicas, outro ponto forte de atração, segundo Villar.

Gabriel de Assis diz que a imagem arranhada da Odebrecht não atrapalhou na hora de escolher a empresa para trabalhar. “Não fiquei receoso, não tinha outra empresa que estivesse mais focada com plano de estágio”, afirma.

A troca de informações, o apoio a atenção e os ensinamentos que ele recebe dos funcionários da empresa impressionaram Assis.

“Já na primeira semana eu e os outros aprovados ficamos bem surpresos, é muito bom, eles olham para gente como se fôssemos mesmo o futuro da empresa”, diz.

Estes são os 100 empregadores mais atraentes segundo estudantes de engenharia do Brasil

Confira estas e as outras empresas mais citadas pelos estudantes de engenharia como empregadores ideais no começo da carreira, segundo a pesquisa da Universum:

Empregadores ideais, segundo estudantes de engenharia
1 Petrobras
2 Governo Federal
3 Odebrecht
4 Google
5 Ambev
6 Vale
7 Apple
8 BMW Group
9 Embraer
10 Votorantim
11 Microsoft
12 Eletrobrás
13 Toyota
14 Volkswagen Group
15 Camargo Corrêa
16 Bayer
17 Nestlé
18 GM – General Motors
19 The Coca-Cola Company
20 General Electric (GE)
21 Andrade Gutierrez
22 Honda
23 Gerdau
24 Banco do Brasil
25 HEINEKEN
26 Ford do Brasil
27 Monsanto
28 Bosch
29 3M
30 Samsung
31 Braskem
32 Intel
33 Unilever
34 BASF
35 Siemens
36 Natura
37 Grupo Volvo
38 Caterpillar
39 IBM
40 John Deere
41 Rede Globo
42 Netflix
43 Itaú Unibanco
44 Facebook
45 CSN – Companhia Siderúrgica Nacional
46 Usiminas
47 Johnson & Johnson
48 Syngenta
49 Fiat Group
50 Sony
51 Shell
52 Raízen
53 ArcelorMittal
54 TAM-LatAm Airlines
55 Dell
56 L’Oréal Group
57 Suzano Papel e Celulose
58 WEG
59 Cargill
60 Daimler/Mercedes-Benz
61 Schneider Electric
62 Banco Bradesco
63 GOL Linhas Aéreas
64 Cyrela Brazil Realty
65 DuPont
66 PepsiCo
67 Gafisa
68 Red Bull
69 Leroy Merlin
70 Procter & Gamble (P&G)
71 Danone
72 Grupo Boticário
73 Falconi
74 Nike
75 Banco Safra
76 VLI Logística
77 Grupo Santander
78 Mondel?z International
79 DOW Chemical
80 brf – Brasil Foods
81 Kraft Heinz Company
82 Schlumberger
83 ABB
84 JBS
85 Nubank
86 McKinsey & Company
87 The Boston Consulting Group (BCG)
88 Bain & Company
89 Lenovo
90 Philips
91 Groupe Renault
92 Ipiranga
93 Whirlpool
94 adidas group
95 Pirelli
96 Oxiteno
97 Avon
98 PwC (PricewaterhouseCoopers)
99 J.P. Morgan
100 Bank of America (BofAML)
Comentários

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  1. Luís Ferracini

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