Graduadas em 2020 poderão conseguir o que ninguém conseguiu

Pesquisa da Accenture indica o que jovens mulheres podem fazer para ganhar mais dinheiro na carreira

São Paulo – Em mercados emergentes como o Brasil, as universitárias que se formarem em 2020 poderão ser a primeira geração de mulheres a conseguir algo inédito: eliminar as diferenças salariais entre os gêneros.

É o que afirma o relatório Getting to Equal 2017, publicado pela Accenture, com base em pesquisa feita com 28 mil homens e mulheres, incluindo alunos de graduação, em 29 países.

Mas, segundo a pesquisa isso só será realidade se mulheres apostarem em uma nova atitude de carreira e, é claro, universidades, empresas e governos derem o apoio necessário.

Como é hoje

Hoje, no mundo para cada 100 dólares que as mulheres empregadas ganham, eles recebem 140. A pesquisa também mostra outro cálculo, levando em consideração que apenas 50% das mulheres têm emprego remunerado contra 76% dos homens.

Por essa matemática, considera-se que quem não é remunerado ganha zero dólares e daí surge uma diferença maior entre eles e elas: para cada 100 dólares que as mulheres, em geral, ganham, homens recebem 258 dólares. Esse é o gap salarial oculto, segundo a Accenture.

No Brasil, a pesquisa identifica alguns motivos para a disparidade, desde a escolha do curso e da carreira. Segundo os dados da Accenture, alunas tendem a escolher áreas com menos potencial para ganhar dinheiro. Mas, a diferença percentual nesse caso é bem pequena: 27% delas estão em carreiras que dão mais dinheiro contra 29% deles.

Outra razão apontada pela pesquisa é que mulheres recebem menos apoio de mentores. Enquanto 43% dos homens entrevistados têm esse tipo de ajuda para deslanchar, 37% das mulheres são mentoradas por alguém.

A ambição da mulher pela liderança é menor, diz o relatório da Accenture:  51% têm essa aspiração contra 60% dos homens. Elas também resistem mais à tecnologia e demoram mais para adotar novas ferramentas: 45% contra 60%.

Por fim, cursos de computação e codificação são ambientes em que ainda prevalecem homens. O relatório aponta de 64% das mulheres apostam em capacitações desse tipo. Entre os homens o percentual sobe para 82%.

Como pode ser no futuro

Para a diretora de executiva de talent e organization da Accenture no Brasil, Patrícia Feliciano, não se trata de culpar a mulher pela diferença salarial, ainda que as razões destacadas no relatório apontem – exclusivamente – para o comportamento feminino.

“Eu vejo mais como uma provocação. No meu entendimento o despertar é possível”, diz. Se quiserem acelerar a carreira e ganhar mais dinheiro, essas jovens mulheres, segundo o relatório, devem lançar mão de três atitudes:

Investir em fluência digital

“Ter fluência digital é ter familiaridade com o que o campo digital traz de oportunidade de negócio”, diz Patrícia. Quem tem essa habilidade está apto a utilizar as tecnologias para melhorar processos de trabalho, para adquirir novas habilidades, para se conectar com clientes, fornecedores e parceiros, etc.

Esse aspecto é o que mais tem chance de beneficiar também as mulheres mais experientes, já no mercado de trabalho, segundo a diretora da Accenture. “Elas podem identificar as oportunidades digitais para transformar seus negócios”, indica.

Pensar a carreira de maneira estratégica

Esse acelerador de carreira, segundo a Accenture, está ligado à ambição, já que o assunto é ganhar dinheiro. A escolha de carreira deve levar em conta o potencial de remuneração. “Muitas não escolhem a profissão com ambição de ganhar dinheiro”, diz Patrícia.

O apoio de mentores também pode ser essencial no direcionamento da trajetória profissional. “Eu tive mentores que me inspiraram muito”, afirma a diretora que hoje é mentora de outros profissionais.

Apostar em imersão tecnológica

Aprender programação, desenvolver competências valorizadas na era digital é outro fator que pode render às mulheres salários mais altos.

 De acordo com o relatório, ao adquirir mais habilidades de TI, as mulheres poderão avançar tão rapidamente quanto os homens.

No entanto, se não houver atuação das universidades, empresas e governos, esses aceleradores perderão potência.  “As universidades deveriam trazer essas competências e incentivar mulheres nesse sentido”, diz.   Governos têm responsabilidade social, e atuação em comunidades, segundo a executiva.

E às empresas cabe o desenvolvimento de um ambiente fértil para que a carreira feminina floresça. “Um exemplo é dar mais flexibilidade para a mulher administrar maternidade e trabalho”, indica.