Este é perfil do jovem aprovado como trainee da Ambev

Jovens selecionados como trainees na Ambev contam suas histórias e revelam o que tornou suas candidaturas bem-sucedidas; confira

São Paulo —Quase todo aspirante a trainee sabe que o programa da Ambev, que acabou de abrir inscrições para a sua modalidade industrial, é um dos mais concorridos do mercado.

Todo ano a empresa organiza dois processos, um em cada semestre: o industrial e o global, voltados respectivamente para as carreiras fabril e corporativa. Quem é aprovado já se torna funcionário, com salário inicial de 5,8 mil reais.  

Segundo dados oficiais, desde 2007 a companhia já contratou mais de 230 trainees, dos quais 56% ocupam atualmente cargos de gerência e 14% se tornaram diretores.

Priscila Waléria, gerente de recrutamento e seleção da empresa, diz que as inscrições podem chegar a dezenas de milhares. No entanto, o número de aprovados muda de ano para ano, o que torna impossível determinar com precisão a relação candidato/vaga. O tamanho da turma é variável — já houve grupos fechados com 10 ou até com 40 jovens.

“O candidato não precisa se sentir ameaçado pela concorrência, porque não temos uma meta de contratação e o volume de aprovados é flexível”, afirma Waléria. “Queremos que o jovem seja ele mesmo, conte sua história e não minta para tentar se destacar dos demais”.

Apesar de flexível, a seleção é bastante rigorosa: de ponta a ponta, o processo envolve quase 100 avaliadores e observadores de diversos níveis hierárquicos, de gerentes a vice-presidentes.

A Ambev diz que seu objetivo é formar um grupo heterogêneo de trainees, e por isso evita impor muitas restrições para a candidatura. A formação acadêmica, diz Waléria, não precisa ter sido feita numa faculdade considerada de “primeira linha” e todos os cursos universitários são aceitos tanto para a carreira corporativa quanto para a fabril.

Pós-graduação também não é obrigatória — nem chega a ser desejável — e quem tem duplo diploma também não é visto como mais especial do que os demais. Conhecer outras línguas além do inglês, que precisa ser fluente, não é considerado diferencial; tampouco é necessário ter qualquer conhecimento específico em informática além do pacote Office.

No entanto, há uma exigência de que a Ambev não prescinde: a aderência completa aos seus valores e o alinhamento com sua cultura.

“Somos mais exigentes quanto às questões comportamentais”, explica a gerente de recrutamento e seleção da empresa. “O trainee precisa ter atitude, rapidez, criatividade e raciocínio voltado para a resolução de problemas”, explica.

Mas não basta ter um discurso bem treinado para garantir que você tem todas essas qualidades: é preciso provar que você tem esse perfil a partir da sua história de vida. De acordo com Waléria, o jovem precisa ter um passado que demonstre esses valores, o que se observa em sua trajetória na faculdade, nas atividades extracurriculares e até na vida pessoal.

Qual é o seu legado?

Um detalhe da biografia de Anna Paula Alves, trainee da Ambev na modalidade global em 2016 e atual gerente de gente e gestão da empresa, foi o que garantiu sua aprovação.

“Eu estava no primeiro ano da graduação em relações internacionais na UnB [Universidade de Brasília] e estava muito frustrada com tantas disciplinas teóricas e quase nenhuma atividade prática”, conta. Para sair do marasmo, Alves decidiu reativar a empresa júnior da faculdade, cujas atividades haviam sido interrompidas nos anos 1990.

Foi um grande salto para a motivação (e para o currículo) da estudante, que acabou descobrindo seu gosto pelo mundo corporativo. À frente de uma equipe de 30 pessoas com apenas 18 anos de idade, ela foi diretora de RH e até presidente da empresa júnior.

Em 2014, Alves foi contratada como coordenadora de relações governamentais da Ambev. Cerca de dois anos depois, recebeu o convite para participar do programa de trainees da mesma empresa, para conhecer melhor seu funcionamento como um todo, e foi aprovada.

Além do diploma de graduação pela UnB, a jovem tem MBA em comércio exterior pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), fala inglês e espanhol fluentemente, mas garante que essas qualificações não foram o motivo pelo qual os avaliadores gostaram dela.

“Acho que minha aprovação veio porque eu tinha vontade de fazer algo diferente, deixar uma marca”, explica ela. “Na entrevista, eles perguntavam muito qual era o meu legado, e como isso poderia ser demonstrado na prática”. Sua atuação na empresa júnior foi parte importante da resposta, além da sua passagem prévia na companhia como coordenadora de relações governamentais.

Outro ponto muito valorizado no processo seletivo foi sua a aderência aos valores da Ambev. “É importante trabalhar o seu autoconhecimento e ao mesmo tempo estudar muito bem a cultura e a história da companhia, para avaliar se você realmente combina com ela”, diz Alves.

“Sem atropelar”

Trainee da modalidade industrial desde setembro de 2016, João Dias Carneiro atualmente está alocado na área de logística de uma cervejaria da Ambev. Para ele, o segredo de sua aprovação foi a facilidade para lidar com pessoas de diferentes culturas e características.

Formado em engenharia de produção pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele passou parte da infância e da adolescência nos Estados Unidos e depois na Inglaterra, estudou espanhol numa escola da Espanha e fez intercâmbio pelo programa Ciências sem Fronteiras durante um ano, no estado da Flórida, nos Estados Unidos.

As experiências lhe garantiram inglês fluente e espanhol avançado, além de uma grande familiaridade com a diversidade. “Aprendi a lidar com gente diferente, ouvir opiniões contrárias à minha e conter a ansiedade no trabalho em equipe”, explica Carneiro. “Isso foi fundamental no processo seletivo, para saber falar e ouvir nos momentos certos, sem atropelar as outras pessoas”.

É uma habilidade preciosa em meio à disputa por uma oportunidade. Para lidar com as pressões e a competitividade do processo seletivo, o trainee acredita que o melhor caminho é se preparar o máximo possível, ler muito sobre a companhia e manter o foco sobre si mesmo, e não sobre o concorrente.

A resiliência e a capacidade de se automotivar também foram muito importantes para Carneiro. Ele conta que, durante a graduação, trabalhou como voluntário em um projeto de empreendedorismo social no Vale do Jaíba (MG). “Era uma região muito pobre, e eu precisava manter a equipe animada para trabalhar apesar da escassez de recursos”, lembra.

Segundo ele, outros aspirantes a trainee precisam compreender os princípios da empresa, com destaque para o que chama de “sentimento de dono” — a ideia de que você precisa cuidar da empresa como se ela também fosse sua. “O perfil da turma que entrou comigo no programa é muito heterogêneo, mas todo mundo está bastante atento aos valores da Ambev”, resume.

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  1. Estudar a história da cia, incluí as passagens onde Jorge Paulo Lemman e seus comparsas tomam o controle da Cia Paulista Antartica da Fundação beneficiente Zerrener, se apropriando de direitos dos funcionários? Ou da passagem onde J.P. Lemman compra uma sorveteria de R$100 milhões para dar a filha do Serra? Acho que não né.

  2. Rodrigo Portela

    esse jovens dinâmicos me enchem de orgulho kkkk sabem de nada inocentes ….

  3. Dell Santana

    Não sei pq ainda me espanto ver que nessa foto só tem branco em um país onde mais da metade da população é de negros e pardos!! Trainee só para brancos??? Não sou a favor de cota pq todos são capazes mais vejo certas coisas acaba sendo deprimente!! A não ser que eles vão alegar que só são modelos e figurantes só para tirar foto!! #quepaíséesse…

  4. Andréa Ferracini

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