Empreendedor precisa de dinheiro e youtuber, de paciência

Uma das carreiras mais bem pagas do mundo, a profissão de youtuber já é tendência entre os jovens

São Paulo – Há dez anos era impensável abrir um negócio de sucesso e ficar milionário com o YouTube. Hoje, essa atividade já é uma das mais bem pagas e o sonho de carreira para muitos.

No Brasil não é diferente. O país, considerado o sexto maior consumidor de vídeos online, segundo dados da ComScore de 2015, concentra alguns dos youtubers mais bem pagos do mundo.

No topo da lista das maiores celebridades brasileiras da plataforma digital está o canal do Whindersson Nunes. Com mais de dez milhões de inscritos, o nordestino foi eleito o segundo maior youtuber do mundo e tem uma receita anual de até US$ 2,9 mi, que não para de crescer.

O segredo para tanto sucesso? Trabalhar duro, com seriedade e responsabilidade.

“YouTube é uma profissão como outra qualquer. É preciso sim trabalhar 8h por dia, focar na produção relevante de conteúdo e encarar isso tudo com muita seriedade”, explica Greta Paz, diretora da MPQuatro, empresa especializada em produção de conteúdo e estratégia para YouTube.

Além disso, é imprescindível fazer um estudo detalhado da plataforma. “É preciso conhecer as regras do YouTube, entender os algoritmos, e saber de trás para frente o manual de boas práticas da plataforma. Só assim você saberá quais são as regras do jogo e como você deve jogá-lo”, diz Vitor Knijnik, fundador da rede Snack, produtora especializada em canais do YouTube.

Investimento

Uma das diferenças entre empreender e criar um canal na rede social é o investimento. 

Para abrir uma empresa é preciso ter dinheiro, capital de giro e reserva para esperar o negócio dar retorno, já no YouTube é necessário apenas ter paciência.

“O grande investimento é o tempo. Um canal começa a dar frutos depois de um ano, de acordo com os minutos assistidos e o material produzido. Recomenda-se dois vídeos por semana feitos com uma câmera aceitável e que se trate de um assunto pertinente”, esclarece Knijnik.

É tudo patrocínio

A grande dúvida de quem entra nesse mercado é saber de onde virá o retorno financeiro. A resposta é fácil (mas não simples): patrocínio.

As marcas, cada dia mais, têm tomado consciência da influência dos formadores de opinião e encontraram nos youtubers a chance de dar visibilidade ao seu produto sem ter aquela cara de propaganda.

“Uma tendência que tem se consolidado nesse mercado é a aproximação de marcas com pessoas reais, que falam de problemas cotidianos e muitas vezes abordam temas sociais em seus vídeos”, diz Paz.

Para a youtuber Maira Medeiros, do canal Nunca Te Pedi Nada, o grande desafio é conquistar essas marcas. “É compreensível que um canal novo não receba um grande investimento publicitário. Essa profissão é nova e as empresas ainda têm um pouco de medo e receio de arriscar com novos nomes e novas pessoas. Mas estamos no caminho certo”.

Youtubers: os atores de novela da vida real

Um dos principais motivos para o sucesso inexplicável de canais do YouTube é a proximidade e a identificação com o público.

Maira Medeiros explica que os adolescentes se identificam com os vlogueiros, principalmente pela acessibilidade. “Eles pegam o amor platônico por ídolos inalcançáveis e direcionam para gente, que muitas vezes moramos até na mesma cidade que nossos fãs. Fazem isso porque sabem que eles mesmos poderiam estar nesse lugar”.