Desigualdade de gênero em Hollywood piorou no último ano

Estudo anual da Universidade Estadual de San Diego aponta que a presença feminina atrás das câmeras diminuiu em relação a 2015

Nos últimos anos, a desigualdade de gênero na indústria cinematográfica foi tema de muitos debates – aqui na SUPER já falamos um bocado sobre como há menos oportunidades para mulheres e para artistas negras e negros na telona (uma realidade que se repete na telinha).

Atrizes falam menos e têm três vezes mais chances de ficarem nuas em cena (uma realidade que é ainda pior para as atrizes negras), e ainda que filmes com boas representações femininas tenham a mesma chance de sucesso de bilheteria, filmes liderados por elencos femininos tendem a ganhar notas piores de usuários e críticos homens.

Mas, ainda que o debate tenha ganhado mais espaço na mídia e nas rodas de conversa, isso ainda não se traduziu em equipes mais diversas.

Em relação aos números de 2015, o cenário apresentou piora: o número de mulheres diretoras, produtoras, produtoras executivas, montadoras e diretoras de fotografia que integram as equipes dos filmes de maior bilheteria de Hollywood diminuiu em 2016. É o que aponta o estudo The Celluloid Ceiling, divulgado nesta semana.

O relatório, realizado pelo Center for the Study of Women in Television and Film, da Universidade Estadual de San Diego (EUA), tem acompanhado a presença feminina nos filmes de maior bilheteria lançados em território estadunidense nos últimos 19 anos, sendo o mais longevo e mais abrangente estudo sobre a contratação de mulheres na indústria cinematográfica.

E, ainda que possamos comemorar pequenos avanços ao longo das últimas quase duas décadas, mulheres ainda tem pouquíssimo espaço na indústria cinematográfica.

“As atuais tentativas em pequena escala para combater o subemprego feminino, embora possam ser bem-intencionados e beneficiar um punhado de indivíduos, são ineficazes para lidar com a questão macro. Iniciativas como os programas de tutoria são simplesmente demasiado escassos para criar o tipo de mudança que é necessária. As mulheres que trabalham nos papéis-chave atrás das câmeras ainda não conseguiram se beneficiar do diálogo atual sobre diversidade e inclusão na indústria cinematográfica”, afirmou a Dr. Martha Lauzen, diretora executiva do grupo de pesquisa da Universidade Estadual de San Diego.

Desigualdade em números

Em 2016, as mulheres somaram apenas 17% das 3.212 pessoas empregadas atrás das câmeras nos 250 filmes de maior bilheteria em solo americano.

Isso significa que a presença feminina em cargos de direção, roteiro, produção, produção executiva, montagem e direção de fotografia teve uma diminuição de dois pontos percentuais em relação a 2015, e número equivalente ao identificado em 1998.

É na produção que as mulheres ocupam mais espaço, representando 24% dos profissionais (o que ainda é menos de um quarto do total, vale lembrar), seguidas por editoras (17%), produtoras executivas (17%) e roteiristas (13%).

Como já mencionamos, na direção de fotografia as mulheres são pouco reconhecidas por seu trabalho e são também minoria – em 2016, representaram apenas 5% dos profissionais que integraram a equipe dos maiores 250 filmes do ano.

Já as diretoras representaram apenas 7% dos profissionais contratados para a função, uma queda de também dois pontos em relação a 2015.

O resultado não podia ser outro: em 2016, 34% dos 250 longas-metragens de maior bilheteria não contrataram produtoras; 58% não contavam com produtoras executivas; 77% não tinham roteiristas mulheres; 79% não tinham mulheres na equipe de montagem; 96% não deram espaço para nenhuma diretora de fotografia; e 92% dos filmes não tinham nenhuma diretora do sexo feminino.

Para quem ainda está na dúvida, fica aqui este dado: no ano passado, 35% dos filmes empregaram 0 ou apenas 1 mulher nos cargos analisados.

A maioria dos longas, um total de 52%, empregou apenas entre 2 e 5 profissionais do sexo feminino – 10 ou mais mulheres foram contratadas em apenas em 2% das produções.

Para efeitos de comparação, apenas 2% dos filmes empregaram 0 ou 1 homem para essas funções, enquanto 76% empregaram 10 ou mais profissionais do sexo masculino. Não está sendo fácil.

O relatório também lançou um olhar sobre os TOP 100 e 500 filmes de maior bilheteria – e, nos dois recortes, a presença feminina apresentou o mesmo declínio de dois pontos percentuais.

A análise também permitiu observar uma importante relação: filmes com pelo menos uma diretora empregaram maiores porcentagens de mulheres como roteiristas, montadoras, diretoras de fotografia e compositoras do que filmes com diretores exclusivamente do sexo masculino.

Além disso, em filmes com pelo menos uma diretora, as mulheres ocuparam 64% dos cargos de roteiristas, 43% de montadores, 16% de diretores de fotografia e 6% de compositores – já em filmes apenas com diretores homens, as mulheres representavam apenas 9% dos roteiristas, 17% dos montadores, 6% de diretores de fotografia e 3% das compositores.

O relatório completo pode ser acessado aqui.

Texto publicado originalmente no portal Superinteressante.

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