De onde vêm os termos Fulano, Beltrano e Sicrano?

O certo é Sicrano ou Ciclano? Professor de português responde

Você conhece alguém com um nome esdrúxulo, como Abc Lopes, Benvindo o Dia do Meu Nascimento Cardoso, Céu Azul do Céu Poente, Um Mesmo de Almeida?

Desde 1973, passaram a ser proibidos pela Lei Federal dos Registros Públicos nomes que exponham ao ridículo ou a situações humilhantes.

Apesar da sensata norma, aponta Júlio César da Assunção que desde a Roma Antiga já se utilizavam apelidos, como: “Ciprião, o Africano”, “Catão, o Velho”, “Plínio, o Moço” – justamente como artifício para diferenciar indivíduos com o mesmo nome. Com o tempo, alguns apelidos acabaram se incorporando aos sobrenomes.

Em se tratando de apelidos, talvez os mais famosos sejam “Fulano”, “Beltrano” e “Sicrano” (já que “ciclano” é nome da Química, que corresponde a um hidrocarboneto saturado cíclico) .

Fulano vem do árabe “fulân” (tal). No espanhol do século XIII, fulano era usado como adjetivo, mas depois se tornou o substantivo que designa um indivíduo não identificado. Beltrano provém do nome próprio Beltrão, muito popular na Península Ibérica, por causa das novelas de cavalaria. A terminação em “ano” surgiu por analogia com Fulano. Para os etimologistas, Sicrano tem origem desconhecida.
Sintaticamente, vale se lembrar de que “Fulano”, “Beltrano”, “Sicrano” exercem a função de vocativo, e não de sujeito:

“Fulano, compareça à reunião desta sexta-feira.”

Vocativo, função do chamamento, é sinalizado por vírgula, exclamação ou dois-pontos (como na frase acima). Além disso, entre sujeito e verbo jamais haverá sinal de pontuação unitário, isolado.

Se “Fulano” ali não é o sujeito, quem é o sujeito?

Há um tipo de sujeito, o chamado elíptico (conhecido também como oculto), que é deduzido pelo verbo da oração. Em suma, “compareça você” – sujeito não grafado, mas passível de identificação.

Por isso, é importante saber a base de vírgula, pois ela pode ser um indicativo da função sintática de um termo (como no caso do apóstrofe ou vocativo).

Um grande abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter,

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa
Autor Gramatical pela Editora Saraiva