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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

“Compartilhar informação fortalece as pessoas”, diz presidente da iProspect

Misty Locke, presidente da agência de marketing digital iProspect nas Américas, ama transformações rápidas e tem facilidade para enfrentar crises

São Paulo — A risonha e espirituosa Misty Locke, de 37 anos, é a responsável pela visão, direcionamento estratégico e relacionamento global da agência de marketing digital iProspect nas Américas. A empresa é uma das, digamos, culpadas por fazer com que a propaganda de determinado produto fique sempre aparecendo no seu navegador de internet. Entre os clientes da agência, que pertence ao grupo japonês Dentsu, estão gigantes como Adidas, Fiat e Brastemp. Nascida no Texas, formada em comunicação corporativa e mãe de dois filhos, Misty criou sua startup de marketing digital em 2001 e a vendeu para a iProspect em 2009, mas continuou à frente da companhia, que está em um momento de expansão. Em 2015, ela efetuou dez aquisições e neste ano a perspectiva é comprar mais três companhias no México, na Argentina e na Colômbia.

A iProspect está crescendo no país e deve contratar neste ano. O que procuram em um candidato?

Agilidade, postura empreendedora, paixão e vontade de vender. Claro que levamos em conta os aspectos técnicos como análise de dados e pensamento criativo e estratégico, mas oferecemos cursos que ajudam a desenvolver essas habilidades. Para trabalhar aqui, a pessoa tem de ser empolgada, gostar de aprender e saber se adaptar. Afinal, é uma indústria que muda rapidamente.

Como define seu estilo de liderança?

Tento liderar com honestidade e acessibilidade. Minha equipe pode me perguntar qualquer coisa que eu sempre vou ser sincera. Compartilhar o máximo de informação é uma maneira de fortalecer as pessoas. Procuro, também, dar feedbacks gentis mas diretos. Todo mundo tem chance de crescer em seus pontos fortes, por isso alinho o que motiva o funcionário às funções que ele ocupa no dia a dia. Meu objetivo é ajudar o time a ter sucesso.

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Por aqui, o mercado publicitário ainda é muito masculinizado – nos números e na mentalidade. Essa é uma preocupação sua como líder?

Desse ponto de vista, sim. Mas nunca pensei em não trabalhar nesse mercado por causa disso. Quero fortalecer as mulheres e ajudar os homens a mudar o modo como encaram o trabalho feminino. Não acredito que as coisas mudarão somente ao dar mais empregos às mulheres. A mudança acontece quando mostramos o valor que elas trazem aos negócios. Meu papel é dar para as funcionárias oportunidades de desenvolvimento e ensinar como podem ser mais confiantes sem precisar se tornar agressivas.

Em algum momento a trataram de modo diferente por ser mulher?

É engraçado. Até hoje muitos executivos entram na sala de reunião, acham que sou uma assistente pessoal e me pedem um café. Quando isso acontece, eu pego o café, começo a reunião e as coisas se invertem. A pessoa fica tão constrangida que eu saio na dianteira: ganhei a vantagem na negociação e nem precisei ser agressiva. A maioria fica tentando me agradar depois desse fora.

O Brasil passa por uma grave crise econômica. Já enfrentou mais crises em sua carreira?

Eu persigo as crises [risos]. Uma das primeiras veio com o medo do bug do milênio, na virada de 1999 para 2000, quando eu trabalhava em uma pequena companhia de SEO. Depois, em 2001, ocorreu o atentado de 11 de Setembro, quando as coisas estavam desmoronando nos Estados Unidos e eu decidi fundar minha empresa de marketing digital. Obviamente, ninguém quer passar por crises, mas elas são importantes para todo mundo. São oportunidades para reconstruir e inovar.

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Esta matéria foi publicada originalmente na edição 211 da revista Você S/A, na seção Entrevista com presidente com o título “Sede de mudança” e pode conter informações desatualizadas

Você S/A | Edição 211 | Fevereiro de 2016 

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