Cidade entre as melhores do país quer atrair pessoas qualificadas

Maringá no Paraná tem tanta demanda por profissionais qualificados, sobretudo na área de tecnologia, que precisa recrutar gente de fora

São Paulo – A meta de Maringá para as próximas décadas é ambiciosa e prevê que a cidade se transforme numa espécie de Vale do Silício do Paraná, um polo de inovação e atração de profissionais qualificados de todo Brasil.

“Uma cidade de tecnologia de ponta, com emprego e renda de alto valor agregado”, prevê Ilson Rezende, CEO da empresa de desenvolvimento de software DB1 Global Software e presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).

O plano estratégico definido pelo conselho projeta Maringá -que completa 100 anos em 2047 – chegando a esse status nos próximos 30 anos. Entre as ações propostas estão o estímulo e investimento no setor de TI e em mais três setores também considerados chave para o desenvolvimento: saúde, educação e transações financeiras/seguros.

“O diferencial da nossa cidade é a sua organização social. A sociedade se organizou”, diz Luiz Carlos da Silva, gerente regional noroeste do Sebrae-PR. O plano estratégico socioeconômico e urbanístico, por exemplo, foi encomendado à consultoria PwC e seu custo, de 1 milhão de reais, bancado pelos próprios empresários locais e sociedade civil.

Com fama de cidade projetada e com ótimos indicadores de qualidade de vida, Maringá já colhe frutos dessa virtude rara em tantos municípios brasileiros, a de pensar em longo prazo. Prova disso é que a cidade entrou para a lista das melhores grandes cidades para se viver do Brasil, segundo pesquisa da Delta Economics & Finance/América Economia.

A mobilização começou a tomar forma antes mesmo da virada do milênio. O Codem foi criado ainda na década de 90 e o empresariado da cidade já capitaneou o planejamento da cidade em 1996, até 2020, e em 2010, até 2030.

Além disso, empresários do setor de TI se mobilizaram e estão organizados há mais de 10 anos por meio de um APL (Arranjo Produtivo Local).

Mercado de TI está aquecido

 Hoje dentre os 400 mil habitantes, 4 mil são profissionais de TI e cidade é sede de 400 empresas de desenvolvimento de software. A DB1 é uma delas e está na lista das 45 melhores para começar a carreira no Brasil, segundo o estudo anual da revista Você S/A, divulgado na edição de setembro.

Para se ter uma ideia, Maringá só perde para São Paulo em números absolutos no que diz respeito ao número de empresas com a certificação internacional CMMI (Capability Maturity Model Integration ou Modelo Integrado de Maturidade em Capacitação), uma das mais importantes do setor de desenvolvimento. O forte da cidade são as soluções de software para empresas (B2B)

“Em 2012, o faturamento das empresas de TI foi de 83 milhões de reais, em 2016 pulou para 600 milhões de reais, numa variação de mais de 600%, e para 2020 a projeção é que faturem 1,1 bilhão de reais”, diz Silva. Esse crescimento também puxa a demanda para outros setores de apoio ao negócio, como marketing e recursos humanos.

Ele garante que é difícil que um profissional da área fique desempregado na cidade. “Quem se forma já sai empregado”, diz o gerente regional do Sebrae. O salário médio em TI na cidade é de 4 mil reais, de acordo com ele.

 Há vagas para profissionais de nível júnior e sênior

Mas as vagas na área de desenvolvimento de software não se restringem apenas a pessoas em começo de carreira. Edoil Barros, gerente de projetos da DB1, mudou-se de São Paulo para Maringá em 2012 e desde então viu crescer também o número de oportunidades em cargos de gestão.

“Quando eu cheguei tinha mais vagas para os jovens, mas o mercado foi evoluindo e, para dar conta do crescimento, as empresas passaram a precisar mais da figura do gestor”, diz Barros, que trabalhou 12 anos na Vivo em São Paulo, onde era coordenador.

Mas o mercado promissor em tecnologia não foi definitivo para que Barros tomasse a decisão de residir permanentemente na cidade e, sim, a qualidade de vida. “Quando me mudei nem sabia que o mercado em TI era tão forte”, conta.

A vontade de sair de São Paulo surgiu quando seu filho, Pedro, nasceu em 2011, e a desafiadora rotina paulistana começou a pesar para ele e a mulher, cuja família é de Maringá. “A gente tinha uma vida muito corrida em São Paulo e a decisão foi balizada mais por conta da família”, diz.

A tranquilidade de viver numa cidade bem arborizada e sem trânsito é um dos principais benefícios da mudança. “São as coisas simples do dia a dia que fazem a diferença”, diz.

É contando sobre a sua rotina que Barros diz convencer outros profissionais que estão pensando em morar e trabalhar em Maringá. Quando há processos seletivos na DB1, Barros é sempre convidado a contar sua experiência, já que deixou São Paulo pela cidade paranaense.

Aos que temem perda salarial, ele sempre indica que não fiquem prestando atenção apenas no valor do salário já que o custo de vida é mais baixo do que em São Paulo.

Segundo Ilson Rezende, CEO da DB1, sem recrutar profissionais de fora não é possível preencher todos os cargos. “Temos demanda para pessoas de outros estados. Mais da metade dos profissionais que a DB1 contrata vem de fora”, afirma. No site da empresa, é possível consultar todas as vagas.

Maringá: 400 mil habitantes e 400 empresas de software (foto/Divulgação)

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  1. Alan Junior Morgado Miranda

    Ah se fosse verdade isso, moro em Maringá sou programador a mais de 11 anos, e em todo esse período o que vimos aqui foi muita gente indo embora da cidade por conta da Software By Maringá que seria uma especie de sindicato para os donos de empresa de software da cidade, o que ocorre por aqui é um acordo de cavalheiros (assim chamado por eles) onde uma empresa não contrata funcionário da outra empresa, sem falar na padronização dos salários, não tendo assim atrativos para você ir para uma empresa melhor, o que realmente os donos de empresa querem na cidade são excelentes profissionais por preço de banana, noticias como essa atraem pessoas para se trabalhar aqui, mas quando esses profissionais chegam aqui veem que a situação não é tão bela e maravilhosa assim..

    1. Daniel Anselmo

      Ninguém melhor do que um cidadão para alertar as pessoas!Esses conchavos de “empresários” do mercado de software também vem prejudicando a cidade de Ribeirão Preto, SP.

    2. Walter Augusto

      Saí de Maringá faz 15 anos. O que se ganha aqui em SP como analista, gerente de TI aí ganha 1/4 do que se ganha por aqui.

  2. Alan Junior Morgado Miranda

    1 – “Ele garante que é difícil que um profissional da área fique desempregado na cidade.”
    2 – “Quem se forma já sai empregado”
    3 – “O salário médio em TI na cidade é de 4 mil reais, de acordo com ele.”

    1 – Não é bem assim que as coisas funcionam, tenho pelo menos 4 amigos que estão procurando empregos a pelo menos 5 meses na cidade, são ótimos programadores com experiencia, muitas empresas de software foram afetadas pela crise na cidade.
    2 – Dificilmente isso acontece, 90% das empresas da cidade só contratam com experiencia, se você tiver 1 ano de experiencia já sai na frente de alguém com 5 anos de faculdade mas sem experiencia, e quando você consegue um emprego ao sair da faculdade ou é um estagio ou é para ganhar 800 reais como júnior.
    3 – Quem dera isso fosse verdade essa faixa salarial é apenas uma utopia para a cidade muito dificilmente você ganhará esse valor trabalhando aqui, as empresas mantem os valores de salários parecidos para não estimular saída de funcionários as exigências para se ganhar 4 mil reais aqui na cidade são tão altos que o mesmo funcionário em uma outra cidade com padrão de vida parecido conseguiria valores entre 5 a 6 mil reais. para uma base salario para programadores na cidade estão assim:
    Programador Junior: R$ 800 a R$1200
    Programador Plenos: R$ 1200 a R$ 2400
    Programador Senior: R$ 2400 a R$ 3600
    Obs: Cada empresa tem uma metodologia de dizer em qual nivel você está, você pode ser um programador Senior em uma empresa e ao ir para outro você pode ser classificado com Pleno.

    1. Walter Augusto

      DB1 perdeu muitos projetos. Tenho 2 conhecidos que trabalhavam na DB1 e estão desempregados.

  3. Paula Villas

    Engraçado que aqui em Maringá tem gente muito qualificada, porém desempregada ou se sujeitando a ganhar um salário de estagiário ou recém-formado pra não ficar sem emprego. Ler essa matéria dá até desgosto sabendo da realidade da nossa cidade, que é linda, porém MUITO injusta com os profissionais. Não se iludam com essa matéria, os gestores das empresas maringaenses precisam melhor MUITO o valor que eles dão para os profissionais.

  4. Humberto Gomes

    É lamentável que a revista exame, um produto da editora abril, grupo sério e respeitado, tenha publicado um material absurdo e tendencioso como esses. Eles querem pessoas que não se importem com a remuneração, afinal eles determinam o que pode e o que não pode ser um salário, fora os conchavos ditadores já citados pelos colegas que impõe todas as “regras do jogo”. A prioridade é enriquecer os poderosos e confortar os trabalhadores com a idéia de que “o salário pouco importa, o importante é vestir a camisa e ser feliz”, por isso estão pescando as pessoas desesperadas pela tal “qualidade de vida”. Realmente a cidade é boa para se morar, mas a taxa de desemprego de pessoas qualificadas vem aumentando e muito, justamente porque a oferta de remuneração é sempre a mais baixa possível. Essa matéria é isca para otário, não caiam nessa!

  5. Rafael Cavalcanti

    Não se iludão com essa notícia, o cartel de T.I. já existe a uns 10 anos pelo menos sob a desculpa de uma APL de crescimento da área na região. Veja quantas vagas de estágios são preenchidas, veja a quantidade de horas obrigadas para os CLT, são fábricas de software copiando os moldes do início da revolução industrial. As melhores opções estão em empresas que estão fora desse cartel e de certa maneira serão de pequeno/médio porte no máximo. Já existe grupos de profissionais que comentam que certas empresas destas colocam uma série de propaganda de programação ‘descolada’ mas que na verdade se ‘respirar’ fora da hora já não consegue cumprir as metas. Para quem não quer perder a qualidade de vida da cidade a melhor coisa é buscar Home Office, empresas de várias regiões do mundo estão de olho nos profissionais aqui, que são qualificados e competentes mas pouco valorizados financeiramente. Caso contrário vá para São Paulo onde a remuneração está mais equilibrada. O sindicado que deveria regular de maneira mais adequada é fraquíssimo politicamente, não tem força de combate. Como diria uma empresa de tubulações: Fuja do mico!