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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Ano novo ou ano-novo, qual é o certo?

Diogo Arrais, professor de Língua Portuguesa do Damásio Educacional, explica como o uso do hífen faz diferença na expressão ano-novo e em outras também

*Respondido por Diogo Arrais, professor de Língua Portuguesa do Damásio Educacional

São Paulo – Quem diria, hein? O ano está chegando ao fim. É hora de comemorar as vitórias; é hora de aprender com as derrotas; é hora de desejar ao mundo um feliz ano novo e muita alegria na noite de “ano-novo”. Como? Com hífen?

Hífen é o famoso traço horizontal, usado para unir elementos de palavras compostas, gerando novo significado.

A situação linguística assim funciona: sem o uso de hífen, a expressão tem o sentido literal. Portanto, “ano novo” representa os doze meses novos; com a hifenização, “ano-novo” representa a meia-noite do dia 31 de dezembro (também chamada de “ano-bom” ou “virada do ano”).
Mais um caso: o “pé quente” é a parte do corpo em alta temperatura; o sujeito “pé-quente” é aquele sortudo que fatura o megaprêmio da loteria, exatamente na noite do ano-novo.

No entanto, em nosso dia a dia, em vez de “ano-novo”, prevalece a palavra francesa “réveillon” (proveniente de “réveiller” – acordar, despertar). Tal uso é intitulado como galicismo: adoção de palavra, expressão ou construção da língua francesa.

Com um bom champanhe, deseje felizes “anos-novos” aos seus amigos; se houver simpatia, brinde a hifenização de compostos. Pule ondas de preconceitos linguísticos e valorize a diversidade da Língua: em época de “réveillon” ou “ano-novo”, vale sim a intenção comunicativa de um mundo, oxalá, pela paz.

Um abraço, feliz ano-novo e até a próxima!

(Divulgação)

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – Damásio Educacional
Autor Gramatical pela Editora Saraiva