7 histórias que dão (muita) vontade de fazer trabalho voluntário

Sete profissionais mostram que trabalho voluntário vai muito além de ajudar o próximo e traz vantagens para carreira e para o dia a dia de trabalho

São Paulo – Oxigenar o dia a dia, melhorar a capacidade de relacionamento com as pessoas, estimular a colaboração, trocar experiências, ensinar e aprender. Essas são algumas das vantagens citadas por quem faz trabalho voluntário.

No Dia Nacional do Voluntariado, EXAME reuniu depoimentos de sete profissionais que fazem atividades em projetos sociais de suas próprias empresas; a saber grandes companhias como Decatlhon, Shell, Cyrela, HP, Novo Nordisk, Suzano e Porto Seguro.

Seja aos 20 e poucos anos ou após os 40 anos, a idade e o momento de carreira pouco mudam a percepção do valor da dedicação ao outro. Todos eles sentem melhoras visíveis na própria rotina na empresa.

“O trabalho voluntário estimula e proporciona ambientes de colaboração, que geralmente são mais produtivos do que ambientes de disputa”, diz Jean Linhares, arquiteto da Cyrela.

Os profissionais são unânimes: o fato de o empregador estimular e dar condições ao voluntariado tem tal peso no engajamento e motivação a ponto de esse ser um item avaliado na hora de tomar decisões de mudança de emprego.

Conheça mais sobre cada um deles:

Leandro Sauer, 34 anos, diretor da Decathlon Barra da Tijuca

Desde 2010 na Decathlon, Sauer já fazia trabalho voluntário quando aceitou o desafio de comandar a unidade da empresa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Lá, a missão encampada por ele foi a de se aproximar das comunidades e atrair os jovens por meio do esporte. Conheceu o projeto Gol de Letra e junto com a entidade passou a fazer parte do “Gol de Cidadania”.

Entre as atividades que o diretor da Decathlon desempenha está a oficina de bike, em que ajuda estimular e educar as crianças da comunidade a praticar ciclismo, e principalmente, consertar e melhorar sua bicicleta.  Geralmente são encontros semestrais, mas ele também procura promover workshops ao longo do ano.

Qual o efeito do voluntariado na sua carreira? Ajuda no quê?

“Eu tenho um imenso prazer em ajudar as pessoas, e claro, ter este relacionamento com crianças e jovens é fundamental. É uma oportunidade como esta que podemos estimular e promover o interesse deles em se aproximar mais do esporte, seja para praticar uma atividade. E porque não, pensar mais alto: em no futuro trabalhar na Decathlon.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente?

“Ajuda muito a oxigenar o seu dia a dia. A possibilidade de conhecer pessoas novas, trocar e aprender é gratificante. Muito mais que doar o tempo e oferecer conhecimento, eu sinto que aprendo muito mais nestes trabalhos. ”

O que é mais desafiador no voluntariado?

“Tempo é fundamental – é gerir o nosso tempo para se dedicar mais, fazendo um equilíbrio entre rotina pessoal, de trabalho e um tempo dedicado a ajudar mais pessoas como voluntário.”

Natalia Nogueira, 27 anos, trabalha na área comercial em supply chain da Shell Lubrificantes

Assim que Natalia descobriu, quando ainda era estagiária há cinco anos, que a Shell Lubrificantes oferecia diversas opções de atividades voluntárias ela logo se interessou em participar. Além de ajudar na arrecadação de doações em épocas especiais, como dia das crianças, ela também participa de ações pontuais de um programa chamado Junior Achievement, que tem a missão de desenvolver jovens estudantes.

Qual o efeito do voluntariado na sua carreira?

“O impacto é muito grande. Acredito que não só estamos na empresa para nos desenvolver profissionalmente, mas também pessoalmente e humanamente. E o voluntariado ajuda nesse crescimento pessoal.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente? 

“Acredito que sim. Impacta positivamente, pois permite que você interaja com outras pessoas dentro da organização que possivelmente você não teria engajamento só realizando sua função de trabalho.

Dessa maneira, influencia muito no ambiente de trabalho e no entrosamento em geral dos funcionários que mesmo não tendo relação direta no dia a dia, pelo trabalho voluntário que fazem juntos, podem ter interação e troca de experiências.

Isso também ajuda se por acaso algum dia internamente o funcionário quiser fazer uma mudança de carreira e já tiver interagido com o gestor da área por meio do voluntariado ou nem que seja outros membros da área em questão. “

O que é mais desafiador no voluntariado? 

“É, além de conseguir o engajamento de outros funcionários, a gestão de tempo com o dia a dia de trabalho.”

Jean Pierre Araujo Linhares, 25 anos, arquiteto coordenador de projetos da Cyrela

Jean, da Cyrela: “ver os sorrisos e a alegria no rosto das pessoas como o resultado das ações semeia a rotinal com satisfação e vontade de querer fazer mais e melhor” (Cyrela/Divulgação)

Linhares entrou em contato com as atividades voluntárias oferecidas desde as primeiras ações do Instituto Cyrela, mas já era um voluntário experiente pois desde os 15 anos dava aulas de desenho para pessoas da comunidade no bairro em que morava.

E no Instituto Cyrela segue ensinando desenho de dois a três períodos por anos, e participou também de reformas de escolas.

Qual o efeito do voluntariado na sua carreira?

“O trabalho voluntário, sobretudo as ações propostas pelo Instituto, proporcionou desafios que me ajudaram a entender melhor o valor das relações.

Estabelecer parcerias e trabalho em equipe para cumprir um objetivo em comum são essenciais no voluntariado corporativo. Cada pessoa carrega um enorme potencial de contribuição, e em um ambiente colaborativo, esses potenciais vem à tona com facilidade.

O trabalho voluntário estimula e proporciona ambientes de colaboração, que geralmente são mais produtivos do que ambientes de disputa.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente?

“Além das parcerias e do ambiente colaborativo, o dia a dia profissional de quem pratica voluntariado é constantemente impacto por inspiração e motivação.

Ver os sorrisos e a alegria no rosto das pessoas como o resultado das ações semeia a rotina do profissional com satisfação e vontade de querer fazer mais e melhor.

A felicidade em doar parte do tempo para ajudar ao próximo gera sentimentos que são difíceis de colocar em palavras.”

O que é mais desafiador no trabalho voluntariado?

“Geralmente nos deparamos com situações inesperadas durante o trabalho voluntário, e a capacidade do profissional em trabalhar fora da sua zona de conforto é desafiada a todo momento.

Seja através da demanda por uma habilidade específica ou na maneira como iremos lidar com uma situação desafiadora, o voluntariado propicia reflexões que nos fazem questionar aspectos importantes da vida. Entender as reais necessidades de uma instituição ou comunidade e atuar de maneira assertiva são desafios constantes na rotina do voluntário.”

Edson Nery, engenheiro de planejamento na área de pesquisa e desenvolvimento da HP

Nery trabalha há 33 anos na HP e é voluntário há 15. Antes disso fazia uma atividade ou outra esporadicamente. Atualmente se dedica praticamente toda semana a alguma das iniciativas oferecidas pela HP, por meio do “Programa 40 dias fazendo o Bem”, que foca em educação e tecnologia aplicada para disseminar o conhecimento em comunidades.

Qual o efeito do voluntariado na sua carreira?

“Não faço pensando em carreira, mas ajuda a manter a perspectiva com a realidade. O dia a dia no trabalho, dependendo do tipo de trabalho, pode nos tornar alheios ao que acontece ao redor. O trabalho voluntário ajuda a entender melhor a complexidade humana e o cenário político e social.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente ?

“O trabalho voluntário ajuda a entender as pessoas e, com isso, ajuda a melhorar o relacionamento interpessoal que, por sua vez, traz resultados em termos de performance diária no trabalho. Além disso, pelo fato de trazer aspectos de realidades diferentes, ajuda na análise dos desafios diários.”

 O que é mais desafiador no trabalho voluntariado?  

“Algumas vezes é a necessidade abrir mão de alguma outra atividade para dedicar algum tempo.”

Alessandra Fabiana Ribeiro, 44 anos, consultora executiva para propaganda médica da Novo Nordisk

Alessandra Ribeiro da Novo Nordisk: “quem um dia é voluntário, voluntário será sempre” (Novo Nordisk/Divulgação)

Com 15 anos de “casa”, Alessandra já fez muitas atividades voluntárias no dia Mundial da Diabetes, já que o tratamento da doença é o foco da Novo Nordisk. Mas, há três anos participa do projeto TakeActionDay, exclusivo da afiliada brasileira e que acontece uma vez por ano.

Por esta iniciativa já fez de tudo um pouco: oficina de currículos no Morro do Sabão, na Zina Leste de São Paulo, coordenação de grupo circense de crianças  e por aí vai. Ela também atua no comitê do TakeAction.

Além disso, às quartas-feiras é voluntária há quatro anos e coordenadora em um programa que atende familiares de dependentes químicos e adictos.

Qual o efeito do voluntariado na sua carreira?

“Você se torna mais humano, consegue ter mais tolerância com os pares, respeitar mais a opinião do outro. Acredito que esse tipo de comportamento no ambiente corporativo faz toda diferença, não só para seu desenvolvimento profissional, mas também para a manutenção de um ambiente de trabalho agradável. Você ganha flexibilidade e descobre novos potenciais (em você e nos outros).”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente?

“Acredito que novas atitudes surgem, como a gentileza, que passa a ser mais natural, o respeito pelo tempo do outro, a maneira de como falar e agir com o time. Um verdadeiro trabalho em equipe acontece, as coisas fluem de forma mais natural.

Um trabalho desse porte te dá a possibilidade de conhecer todas as áreas da companhia, e isso aumenta a visão geral do negócio e também promove novos relacionamentos com pessoas que, às vezes, imaginou nunca falar.”

O que é mais desafiador no voluntariado?

“Entender a necessidade do outro, saber se colocar, ser útil! Ser voluntário é muito mais que uma ação, envolve afeto, solidariedade e gratidão. Quem um dia é voluntário, voluntário será sempre! Faça o bem sem olhar a quem, assim se começa.”

Ana Lúcia Costa, 41 anos, auxiliar-administrativo da Suzano

Ana Lúcia da Suzano: “voluntariado me tornou uma pessoa melhor, mais sensível, mais receptiva, alegre e colaborativa” (Suzano/Divulgação)

Logo que entrou na Suzano, há mais de seis anos, Ana Lúcia começou a fazer trabalho voluntário, dando aulas em três projetos: um para capacitar jovens para o mercado, outro que estimula o empreendedorismo em jovens e outro que une a expertise dos funcionários da Suzano à demanda por trabalho voluntário na região. Mais de duas vezes ao mês trabalha em algum deles.

Mas, antes disso, já era uma voluntária experiente tendo sido, inclusive, presidente de uma associação para pessoa com deficiência em Nova Venécia (ES), cidade em que nasceu.

Qual o impacto do voluntariado na sua carreira?

“O impacto é transformador. Voluntariar é uma via de mão dupla. Quando entro em um projeto, me preparo para ensinar, mas eu que acabo aprendendo ainda mais. Além disso, dedicar tempo para ajudar alguém me trouxe bons amigos, me permitiu descobrir novas oportunidades e ampliar minha rede de contatos.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente?

“Com certeza. Me tornou uma pessoa melhor, mais sensível, mais receptiva, alegre e colaborativa. Também me ajudou no gerenciamento de tarefas, na organização e administração do meu tempo. Ser voluntário não é participar dos projetos apenas com o intuito de ocupar seu tempo livre, é encaixar isso no seu dia a dia, na sua rotina.”

O que é mais desafiador no voluntariado?

“O maior desafio é se doar por inteiro para conseguir transformar a vida de uma pessoa, pois o tempo é curto e as necessidades são muitas. Às vezes achamos que uma tarefa é pequena ou até insignificante, mas cada uma delas faz diferença e possui um impacto relevante na vida dessas pessoas. O grande desafio é fazer a diferença, mudar uma vida, transformar.”

Cinthia Messina, 32 anos, assistente da diretoria comercial da Porto Seguro 

 Foi pelas ações da Porto Seguro, seu local de trabalho há 15 anos, que Cinthia teve contato pela primeira vez, há 14 anos, com o voluntariado. Atualmente uma vez por mês ela realiza ações pontuais do programa Porto Voluntário, que antedê 12 instituições diferentes em São Paulo.

Qual o impacto do voluntariado na sua carreira?

“O voluntariado me ajuda principalmente na relação interpessoal, aprendi a ter mais empatia e ter um olhar diferente na vida. Posso dizer que quando me tornei voluntária, me transformei também em uma pessoa melhor.”

O dia a dia de trabalho também é impactado positivamente?

“Sim. Me sinto contagiada com uma energia do bem, o fato de realizar algo que para nós muitas vezes pode ser pequeno, para quem ajudamos representa muito e isso faz com que o dia se torne especial, você vê a vida mais colorida.”

O que é mais desafiador no voluntariado?

“Não depender do voluntário a mudança na vida daquela pessoa, pois a vontade é de querer transformar a vida de quem é ajudado, porém sabemos que depende de um contexto muito maior.”