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Última atualização 23/05/2017 - 17:20 FONTE

7 chefes da Geração Y abrem o jogo sobre dificuldades ao liderar

Com a palavra os chefes da Geração Y: confira desafios e os principais aprendizados que estes jovens já tiveram sobre gestão

São Paulo – Há alguns anos a Geração Y chegou aos cargos de liderança e não faltam teorias sobre a sua maneira de trabalhar, suas qualidades e, é claro, também seus defeitos.

Ambiciosos, não interessados em realizar tarefas subalternas, amantes de feedback e do equilíbrio entre vida profissional e pessoal são algumas das percepções mais comuns que especialistas têm a respeito de nascidos entre 1980 e 1990.

Pesquisa realizada pela Deloitte com 7,7 mil jovens em 29 países, entre eles o Brasil, mostra que eles também se consideram protagonistas de suas trajetórias profissionais: 77% deles disseram ter controle total ou parcial sobre suas carreiras.

No entanto, um dado específico sobre brasileiros mostra que, apesar de a liderança ser a competência mais lembrada entre as que rendem bons salários, no Brasil, 7 em cada 10 profissionais dizem que a capacidade de liderança não está sendo desenvolvida no trabalho.

Quais então são as grandes dificuldades que os chefes da Geração Y encaram no dia a dia de trabalho? Consultamos de diretores a CEOs de empresas de diversos portes e segmentos como telecomunicações, indústria farmacêutica, indústria automobilística, energia eólica, agronegócio e gestão de reputação para saber quais foram as adversidades do começo, as atribulações atuais de liderar equipes e também os principais aprendizados. Confira o que eles contaram

  1. Allyson Chiarini de Faria, diretor de marketing para a América do Sul da Siemens PLM Software, 34 anos
Allyson Chiarini de Faria, diretor de marketing para a América do Sul da Siemens PLM Software, 34 anos

(Divulgação)

 

Enfrentou dificuldades para atuar como gestor?

Sim, já enfrentei algumas dificuldades como gestor. Um dos principais fatores marcantes, obviamente é a diferença de idade entre eu e colegas, superiores e membros da equipe. Gera um pouco de estresse no começo, mas nada que ao longo do tempo a situação não seja resolvida.

O que foi marcante no início?

A situação mais marcante, em uma das funções que passei, foi ter que tomar partido em uma questão de diferença de opiniões entre duas pessoas que poderia acarretar na demissão de um membro da equipe. É sempre difícil este tipo de situação pois, muitas das vezes, quem está inserido no contexto acaba sendo envolvido pela emoção, e não pelos dados e fatos. Para um recém-chegado a uma empresa ou departamento, como eu, fica mais fácil observar um potencial problema, mas antes de tomar alguma decisão, é preciso estar muito bem baseado em dados e fatos.

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?

Observar mais e falar pouco. Acredito que observar as atitudes e ações das pessoas em um ambiente de trabalho ajuda bastante no desenvolvimento de projetos e a atingir os objetivos propostos, pois desta forma saberei como agir com pessoas bem-intencionadas, com pessoas mais emotivas, pessoas mais aceleradas. Observar é uma grande lição que tirei e que utilizo constantemente,

Obviamente, além de saber ouvir, é importante saber articular e expressar muito bem suas ideias, em minhas reuniões, busco sempre levar algo completo, para que possa ser avaliado da melhor maneira possível, nem sempre minhas ideias são as melhores, mas o fato de eu estar sempre bem embasado faz a diferença em reuniões e na tomada de decisão, me ajuda a minimizar os riscos e a ser mais assertivo.

2. Camila Figueiredo gerente executiva de gestão corporativa e desenvolvimento de negócios da Scania, 30 anos 

Camila Figueiredo

Enfrentou dificuldades para atuar como gestora?

Sempre trato minhas dificuldades como um desafio e busco encará-las cada vez mais.

O que foi marcante no início?

Talvez a transição do “operacional” para o “estratégico” tenha sido uma dificuldade no início. Tenho um perfil um pouco acelerado, e algumas vezes acabei fazendo tarefas que eram de responsabilidade de um funcionário, simplesmente por achar que eu faria mais rápido e também pelo costume de fazer do meu jeito.  Porém, essa estratégia não é sustentável no longo prazo. Além desse momento de transição, outra coisa que foi marcante no início, foi a satisfação de poder decidir como trabalhar e como entregar as demandas.

 Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?  

Um dos maiores aprendizados que já tive foi descobrir que a individualidade de cada um na equipe é muito importante e deve ser valorizada. É praticamente impossível tratar todos os subordinados de forma homogênea. Cada um gosta de ser liderado de uma forma. Uns precisam de mais atenção, e outros já não gostam disso.

Também posso destacar que aprendi a ter mais paciência para obter resultados por meio da equipe. Isso veio quando o Presidente da Scania me deu um projeto para entregar, e o grupo de trabalho era formado por “Young potentials”, que é um programa da Scania que seleciona jovens com potencial de crescimento na organização. A condição era que eu não podia fazer o trabalho em si, mas tinha que entregar o resultado deixando os integrantes do grupo desenvolverem o trabalho. Era um tema que eu conhecia muito, mas não podia colocar a mão na massa. Além disso, eu tinha que garantir que o grupo estava falando em inglês em todas as reuniões. O resultado foi muito melhor do que eu esperava, e com certeza melhor do que se eu tivesse feito somente com minhas ideias.

 3. Felipe Cansanção, diretor-executivo da Aloo Telecom

Felipe Cansanção

Enfrentou dificuldades para atuar como gestor?

Sim! Liderar é sempre um grande desafio.  Fui adquirindo experiência para lidar com equipes grandes no dia. Atualmente, como CEO da Aloo Telecom, trabalho com um time composto por 130 profissionais diretos e 450 indiretos.

O que foi marcante no início?

Vejo como maior desafio, ter uma equipe sempre motivada. Durante o processo de gestão e liderança, todo o é um novo aprendizado. Essa troca é enriquecedora.

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?

Como aprendizado cito: a importância do planejamento estratégico a longo prazo, definição de metas e medição contínua dos resultados, para manter o padrão de qualidade, e os resultados.

Exemplo disso, foi planejamento que fizemos em 2011 (por cinco anos ) até 2016. Conforme o planejamento colocamos em operação a rede de fibra óptica que liga as cidades de Fortaleza e Salvador. Fruto de um investimento na ordem de R$ 50 milhões, a rede possui 2.100 km de extensão e se conecta ao cabo de fibra ótica submarino Monet, que liga Miami a Fortaleza, para atender a cidades como Mossoró, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Alagoinhas e Camaçari

4. Denis Dutra, diretor de operações pela AGCO Corporation, 34 anos

Denis Dutra, diretor de operações pela AGCO Corporation, 34 anos

(Divulgação)

  Enfrentou dificuldades para atuar como gestor?

Mudar o foco de entregar resultado por si para ter um time a gerenciar foi uma grande mudança, enfrentei algumas dificuldades naquele momento inicial, principalmente no tocante a negociação com o time, lidar com diversas formas de trabalho e visão. 

O que foi marcante no início?

O mais marcante foi o desafio de liderar pessoas mais velhas, com outra visão do negócio e atitudes, o famoso conflito de gerações, o que no início, para um líder sem experiência foi bastante difícil.

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?

Hoje posso dizer que fazer gestão é uma realização, gosto do que faço e faço o que gosto, algumas habilidades e estilos alguns já nascem, acredito que já tinha algumas, mas a grande maioria delas nós precisamos desenvolver ao longo da carreira e das experiências.

Não há como fazer gestão sem se preocupar com as pessoas, sem ser empático, é preciso também ter controle e conhecimentos dos processos, assim como estabelecer uma comunicação bastante assertiva e clara para com o time, só assim se atinge o tão buscado resultado, consequência de uma boa gestão.

É sim preciso ter foco em resultado, mas não o resultado pelo resultado, é preciso orientar o time sobre como chegar lá.

5. Lucas Araripe , diretor de novos negócios pela Casa dos Ventos, 30 anos

 Lucas Araripe

Enfrentou dificuldades para atuar como gestor?

Os desafios sempre existem e são a melhor maneira de aprendizado. Desde o início, apostamos no potencial dos recursos eólicos do país, antes mesmo do assunto estar em pauta como hoje.

O que foi marcante no início?

No início da companhia, nosso maior desafio foi investir em conhecimento e capacitar pessoas para conseguirmos ter um diferencial competitivo em um mercado novo que se estabelecia no país.

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?

Em um time, cada pessoa possui aspirações e motivações diferentes. Talvez o maior aprendizado tenha sido conectar essas ambições e diversidades em um objetivo comum.

 

6.  Thyago Mathias , diretor de advocacy reputação corporativa pela Llorente & Cuenca, 32 anos

Thyago Mathias

Enfrentou dificuldades para atuar como gestor? 

A maior dificuldade de ser um gestor na faixa dos 30 e poucos anos é a de ser reconhecido e respeitado a despeito da idade.

O que foi marcante no início?

Em outras empresas por onde passei, tive oportunidades negadas, sem sequer ser ouvido, apenas porque era considerado novo demais. Uma vez nesta posição, trabalho com pessoas de todas as idades. Ao mesmo tempo em que procuro reconhecer nelas os talentos que têm, espero que elas também enxerguem e reconheçam os meus. Isso vale muito para a gestão da equipe. No relacionamento com clientes e parceiros externos, o estranhamento foi menor e hoje já não existe – acredito que, sobretudo, como consequência dos resultados entregues e do compromisso com prazos e qualidade, o que fundamenta minha reputação como gestor.

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora?

Que o mais importante em qualquer negócio – sobretudo o meu, de consultoria em comunicação – são a reputação e as pessoas. Nossos ativos não estão concentrados em máquinas e equipamentos, em tecnologias exclusivas… nosso valor está no nome que construímos e em todas as características que as demais pessoas associam a ele. Junto com a reputação, acredito profundamente que nosso valor está em cada um dos talentos que integramos como equipe e como companhia. Eles têm que ser complementares uns aos outros, para formar uma equipe completa, e têm que ser valorizados e motivados, com um sentido de propósito comum e com o reconhecimento dado por cada conquista, O fato é que não existe líder, nem gestor, sem equipe. Engajá-la e geri-la é nosso maior desafio.

 

7. Gabriela Almeida – diretora de acesso ao mercado da Astellas , 33 anos

gabriela8

Enfrentou dificuldades para atuar como gestora?

Sempre achei que iria encontrar dificuldades pelo conflito de gerações, já que em todos os times que liderei, quase 100% das pessoas eram mais velhas do que eu. Mas, pelo contrário, sempre consegui estabelecer com eles um ambiente de muita troca, união e respeito; a trindade em que acredito nas relações pessoais e profissionais. Acredito que somos todos iguais e que a única diferença são algumas responsabilidades atribuídas a cada cargo. Mas somos iguais. Eu aprendo com a sua verdade e você com a minha. Na realidade, encontrei muito mais conflito de gerações ao lidar com outras áreas. Precisava de um tempo um pouco maior até que eles entendessem que profissionalismo não está relacionado diretamente com a idade ou aparência (sempre aparentei ser mais nova do que a minha idade), mas sim com os valores e experiências de cada um. 

O que foi marcante no início?

O que mais me marcou no início da atuação como gestora foi perceber que não era mais responsável apenas pelas minhas atividades e desempenho. Precisei entender que as minhas responsabilidades com a empresa envolveriam agora o resultado e o desempenho de várias pessoas com diferentes personalidades. 

Quais os aprendizados de gestão que você já tirou até agora? 

Na Astellas, eu busco conhecer as pessoas, entendê-las, descobrir seus pontos fortes, desafios, aspirações e como posso ajudá-las a atingir melhores resultados e próximos passos de carreira.

O estímulo à colaboração é muito mais rico, efetivo e agradável do que a competição. Meu questionamento constante é: O que vamos fazer juntos? As conquistas e aprendizados alcançados em colaboração fazem muito mais sentido para mim do que a luta individual e a qualquer custo, para chegar onde se quer. Acho a competição muito válida nos esportes, por exemplo, mas não no ambiente de trabalho onde todos precisam trabalhar juntos por um objetivo.