Viúva de Jango diz que exumação é “resgate da memória”

"É um resgate da memória do meu marido", desabafou viúva do ex-presidente, logo após cerimônia oficial de recepção dos restos mortais, na Base Aérea de Brasília

Brasília – A viúva do ex-presidente João Goulart, Maria Thereza Goulart, acompanhou nesta quinta-feira, 14, bastante emocionada, a chegada dos restos mortais de Jango a Brasília. “É um resgate da memória do meu marido”, desabafou, logo após a cerimônia oficial de recepção dos restos mortais, na Base Aérea de Brasília.

Ao lado de Maria Thereza estava a presidente Dilma Rousseff. Também acompanharam a cerimônia mais de 20 ministros. “A presença de todo mundo aqui foi muito importante, um momento que não vou esquecer mais na minha vida. Foi um momento muito bonito”, disse a viúva.

Os restos mortais serão analisados para apurar se o ex-presidente morreu de causas naturais ou foi vítima de envenenamento. Jango foi exumado nesta quarta-feira, 13, em São Borja, interior gaúcho. Ele morreu na Argentina em 6 de dezembro de 1976. Quando faleceu, vivia em Mercedes, província de Corrientes, vizinha do Rio Grande do Sul.

A viúva disse que na época eles moravam “muito longe” e que por esse motivo não foi feito um exame detalhado do corpo de Jango na época de sua morte. “Não teve esse momento de fazer uma autópsia. Acho que até poderiam ter feito, mas ninguém fez e ninguém foi capaz de fazer”.

Embora o processo de análise dos restos mortais de Jango esteja sendo tratado sob sigilo pelo governo, a viúva deu um sinal de que haverá exames no Exterior.

Maria Thereza não descartou que Jango tenha morrido por causas naturais. “Essa hipótese também é viável, todas são consideradas. De qualquer maneira, é importante”, disse a viúva.

Ela destacou, porém, que a decisão de realizar neste momento a análise representa “coragem e de reconhecimento pelo presidente que ele foi”.