Funaro alega ter entregue “malas de dinheiro” a Geddel

Doleiro disse ter feito paradas em Salvador para deixar propina com ex-ministro da Secretaria de Governo

Termina nesta sexta-feira a estada de Lúcio Funaro na carceragem da Polícia Federal, em Brasília. O doleiro saiu do presídio da Papuda no último dia 5 com o objetivo de prestar uma série de depoimentos às autoridades para fechar um acordo delação premiada. Ligado principalmente ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, Funaro vem se mostrando cada vez mais uma peça-chave em um esquema de corrupção que envolve todo o PMDB, inclusive o presidente Michel Temer.

A última das bombas instaladas por Funaro foi a alegação de que teria entregue “malas de dinheiro” — no plural — ao ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Geddel acabou de ser liberado de um pedido de prisão preventiva e está em regime domiciliar, em Salvador, na Bahia. O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), autorizou a transferência mesmo sem tornozeleira eletrônica disponível. Geddel havia sido detido por suspeita de obstrução da Justiça, ao pressionar a esposa de Funaro enquanto o doleiro ensaiava confessar os crimes.

Diz o doleiro que em duas viagens, uma para Trancoso e outra para Barra de São Miguel, fez paradas em Salvador para deixar dinheiro de propina para Geddel. Antes, Funaro corroborou a história de Joesley Batista de que recebeu dinheiro pelo seu silêncio, sob ordem de Temer. Segundo a coluna Radar, da revista VEJA, Funaro ameaçou o presidente em conversa com Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado e amigo de Temer. “Se eu delatar, vou acabar com o seu chefe”, disse.

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha é mais um que planejar abrir o bico. Nos mais de 100 anexos apresentados às autoridades, segundo o jornal Folha de S. Paulo, há capítulos exclusivos dedicados ao presidente. Sem quórum para votar a denúncia na Câmara antes do recesso, a divulgação de fatos novos tende a piorar a situação de Michel Temer no comando do país. Até agosto, há uma eternidade de tempo para que os episódios que Funaro ou Cunha venham à tona. Para Temer, as próximas duas semanas de recesso são de muita articulação, e de muito dedo cruzado.

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