Polêmica do Parque Augusta deve chegar a capítulo decisivo hoje

Nesta sexta-feira, as partes envolvidas devem assinar um protocolo de intenções, que vai determinar as regras da negociação

O Parque Augusta, na região central de São Paulo, é símbolo de uma luta antiga por mais áreas verdes nas grandes cidades brasileiras. Desde 1967, quando um tradicional colégio feminino que existia no local deixou de funcionar, há brigas para decidir qual será o destino do terreno. Em 2013, área foi adquirida pelas construtoras Cyrela e Setin, para dar lugar a um empreendimento imobiliário. Foi o início de uma disputa com movimentos sociais que queriam a construção de um parque. O vaivém deve terminar hoje. Ao menos na teoria.

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Em julho, a prefeitura acatou a uma sugestão do Ministério Público e decidiu oferecer às construtoras uma permuta de terrenos, para preservar a área verde no centro. Anunciou que outro terreno seria oferecido em troca do Parque Augusta: uma área de 18.000 m² no bairro de Pinheiros, ao lado de uma estação de metrô e trem e de um terminal de ônibus, e com potencial construtivo máximo — o que significa que podem ser erguidas torres mais altas.

Nesta sexta-feira, as partes envolvidas devem assinar um protocolo de intenções, que vai determinar as regras da negociação. Porém, para validar o acordo, é preciso aguardar uma perícia pedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, para averiguar se o acordo traz valores adequados para a cidade — e o resultado só deve sair em setembro.

Movimentos sociais e urbanistas alegam que o novo terreno é muito mais valioso do que a área do parque (que conta com 24.000 m², mas tem mais restrições construtivas e ambientais e localização menos privilegiada), e que a permuta traria prejuízos aos cofres públicos. Criticam ainda o fato de a tramitação ter sido fechada após a nomeação de um executivo da Cyrela, Claudio Carvalho, para a secretaria de Investimento Social da Prefeitura.

A prefeitura, para compensar a diferença de valores entre os dois terrenos, exigiu algumas contrapartidas, como a construção de uma creche, de um boulevard para conectar a Praça Roosevelt ao que será o Parque Augusta e a manutenção do parque e da Praça Victor Civita, que fica no terreno oferecido em Pinheiros. Ou seja: mesmo com a definição desta sexta-feira, o imbróglio que se arrasta há 50 anos vai continuar.