Torcida da Chapecoense acampa na arena para demonstrar gratidão

O acampamento começou na terça-feira com um grupo pequeno de torcedores, mas aos poucos foi ganhando mais adeptos

Chapecó – Gabriel e Luciana se conheceram nas arquibancadas da Arena Condá, em dia de clássico com o Avaí. “Quando bati o olho nela, eu senti uma coisa diferente”, disse Gabriel Felipe Colombo, 17 anos. O amor bateu e o namoro começou naquele mesmo dia. A gente se descobriu na paixão pela Chapecoense“, fala Luciana da Silveira Dutra, 19 anos. O casal faz parte da Torcida Jovem da Chapecoense e está acampado em vigília dentro do estádio desde terça-feira.

Quinta-feira foi aniversário de Luciana. Durante a noite, a turma acampada puxou um “parabéns para ela”. Não teve bolo. Não foi especialmente feliz, mas ela diz não trocar o companheirismo e a empatia entre os torcedores por nenhuma festa. “O importante é a gente mostrar que não vamos desistir do clube ou da cidade. Aqui, a gente vai resistir à dor e à tragédia”.

O acampamento começou na terça-feira com um grupo pequeno de torcedores, mas aos poucos foi ganhando mais adeptos. Hoje, são 40 pessoas, com média de idade de 18 anos. Na quarta, ganharam duas barracas de camping, colchonetes e cobertores. No primeiro dia, almoçaram e jantaram cachorro quente. Depois, familiares se organizaram para trazer algo mais substancioso.

Não existe conforto, dorme-se muito pouco, mas, ainda assim, os jovens em vigília acreditam que estão pagando uma dívida de gratidão com aqueles que se foram. “O mínimo que a gente pode fazer é esperar a alma deles. Esperar e agradecer tudo o que eles fizeram. Temos que levantar essa casa (Arena Condá), essa cidade de novo”, fala Vitor Tonasi, 18 anos.

O presidente da Torcida Jovem, Fernando de Lima Kásper diz que as noites de vigília estão sendo vivenciadas com dor e alegria. “A gente canta as músicas da torcida pra espantar a tristeza. É como se a ficha não tivesse caído”, diz. Ele conta que os acampados ficam assistindo vídeos com gols e momentos importantes da equipe. “É como se eles ainda estivessem do nosso lado”, confessa.

A vigília tem sido mais amarga para Lucas de Lima. Ele é sobrinho de Edir de Marco, um dos dirigentes que estava voo. “É uma homenagem para o meu tio. Preciso ver os corpos para acreditar no que aconteceu”, diz o jovem de 18 anos.