Temer liberou R$ 134 milhões em emendas para aliados na CCJ

Sozinho, o autor do parecer favorável a Temer ganhou R$ 5,1 milhões em emendas; já o relator que se opôs a ele começa a sentir o gosto amargo da retaliação

São Paulo – No mês passado, quando a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ameaçava o presidente Michel Temer, o Palácio do Planalto abriu a carteira para manter aliados satisfeitos — já de olho nas votações decisivas para o futuro do governo.

Segundo levantamento da ONG Contas Abertas,  o  governo liberou em junho mais de 2 bilhões de reais para parlamentares de 27 partidos e bancadas estaduais. Desse total, 134 milhões de reais foram empenhadas para emendas de 36 dos 40 deputados que derrubaram o parecer favorável à denúncia contra Temer. Entre os que aprovaram o primeiro relatório, o valor desembolsado caiu pela metade: 66 milhões de reais.

Mas dois parlamentares que votaram contra Temer foram os alvos do maior montante em emendas empenhado em junho. Marcos Rogério (DEM-RO) e Silvio Torres (PSDB-SP) receberam, respectivamente, 5,3 milhões e 5,1 milhões de reais.

Já o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), autor do relatório alternativo que rejeitou a denúncia contra o peemedebista, é o aliado que ganhou mais recursos do governo: foram 5,1 milhões de reais empenhados em emendas para ele em junho.

Dois aliados de Temer que assumiram uma cadeira na CCJ nas vésperas da votação também aparecem na lista dos mais “abonados” com emendas em junho: são eles os deputados Beto Mansur (PRB—SP) e Carlos Marun (PMDB-MS), que receberam 5 milhões de reais cada.

A expectativa é de que a denúncia seja apreciada pelo plenário da Câmara a partir de 2 de agosto, caso o governo consiga montar quórum suficiente. Para garantir votos, o Planalto já cogita fazer uma reforma ministerial dando prioridade (e mais espaço) para aliados e punindo traidores.

O relator do parecer contrário a Temer, o  deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), já começou a sentir o gosto amargo da retaliação do Planalto: ele perdeu ontem o posto de vice-líder do PMDB na Câmara e de coordenador da bancada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Deve ser ainda substituído na comissão. O valor de emendas empenhadas para ele em junho? Zero reais.

 

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  1. Maurici Spindola

    Essas emendas são de um modo geral uma vergonha e ao mesmo tempo recursos que Deputados tem direito e estavam atrasados. Trata-se de verbas que devem ser designadas a entidades assistênciais tais como hospitais, escolas públicas e militares federais e outras categorias possíveis. Não são verbas que entram no bolso direto de qualquer deputado, mas são controlados os seus gastos. Pode ser que tenham deputados que criaram entidades fantasmas para de forma indireta o dinheiro volte para seu bolso, mas são valores indicados ao governo . Segundo informações mais verdadeiras que essa matéria, estavam atrasados estas verbas de 2016 e claro que de alguma forma faz com que os deputados recebedores (por quantidade de votos recebidos) possam fazer suas doações e ganhar prestígio popular para futuras reeleições. Não deveria existir ao meu ver, mas já que tem, nada melhor que soltar nessa hora de votação, é isso que digo que é uma vergonha oportunista do Temer.