Só três em 100 pessoas admitem praticar corrupção no Brasil

O levantamento ouviu 3,5 mil pessoas, com o foco voltado às microcorrupções diárias

Operação Lava Jato. Máfia da Merenda. Denúncia contra Neymar. Independente se ser um tema de âmbito federal, específico de São Paulo ou envolvendo um craque do futebol mundial, a corrupção não parece fazer distinções para se fazer presente.

A impressão de que ela está em todo lugar, porém, não acontece ao acaso, como mostra uma pesquisa do Instituto Data Popular.

O levantamento ouviu 3,5 mil pessoas, com o foco voltado às microcorrupções diárias.

Os resultados, publicados pela colunista Sonia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, mostram que apenas 3% dos brasileiros se assumem como corruptos.

Outros 70% não chegam a tanto, mas admitem que, pelo menos uma vez na vida, tiveram alguma ‘atitude corrupta’.

O número é quase o mesmo (67%) quando se questiona a respeito de quem compra produtos piratas no País.

Mas nada é mais curioso do que a quantidade de pessoas que não admitem determinada atitude corrupta, mas admitem conhecer alguém que a cometeu.

Quer um exemplo? Deixar de devolver a diferença na hora do troco foi admitida por 21%, ao passo que outros 46% juram que nunca tiveram essa atitude, embora conheçam alguém que já o fez no País.

Pagar propina a um policial ou agente de fiscalização só foi admitida por 7%, contra os 19% que garantem conhecer alguém que subornou um servidor público.

Crimes contra o Fisco só foram admitidos por 1%, ante os 15% que não escondem conhecer alguém que lance mão de ‘malandragens’ para ocultar gastos e patrimônio, a fim de não pagar tributos à Receita Federal.

A noção que os números apresentam – “o corrupto é sempre o outro, não eu”– mostra um outro lado do brasileiro, de acordo com o presidente do Data Popular,Renato Meirelles.

“(O brasileiro) se acha isento nas pequenas corrupções de que se beneficia e critica as grandes, nas quais se acha lesado”, comentou.

Ao jornal, Meirelles avaliou ainda que essa realidade, endêmica e enraizada na sociedade brasileira, só vai mudar quando se buscar o investimento naquilo que pode mudar culturalmente problemas sociais: a educação.