Site reúne candidatos com propostas para comunidade LGBT

Na contramão da bancada evangélica, campanha pretende aumentar representatividade dos gays no Congresso e assembleias estaduais

São Paulo – “Sai do armário e vem pra urna!”. Com essa e outras frases bem humoradas, a campanha #VoteLGBT – lançada hoje na internet – convoca os eleitores a aumentar a representatividade da comunidade LGBT nas eleições deste ano.

Criado por um movimento social que se declara suprapartidário, o site colaborativo lista os candidatos que já se comprometeram explicitamente com a defesa dos direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

A campanha surge após a polêmica criada pela candidata Marina Silva (PSB), que chegou a incluir em seu programa de governo propostas específicas para o tema, mas acabou voltando atrás e corrigindo o texto 24 horas depois.

“Queremos um país em que todo mundo tenha seus direitos garantidos e suas vidas respeitadas. Para isso, precisamos escolher políticos verdadeiramente comprometidos com os direitos humanos”, diz um dos textos publicados no site.

Segundo os organizadores, o guia já conta com as propostas de 100 candidatos de diferentes partidos, que disputarão cadeiras tanto no Congresso quanto nas assembleias legislativas.

Os eleitores poderão fazer consultas por estado ou cargo, e também contribuir para aumentar a lista com indicações de novos nomes.

“Nosso objetivo não é fazer propaganda deste ou daquele candidato, e sim incentivar o voto contra o ódio, a intolerância e a violência”, afirma o movimento. “É inquestionável que nossa subrepresentação afeta diretamente nossas possibilidades de obter avanços em políticas públicas”.

“Não adianta fazer a egípcia”

No manifesto intitulado “Acorda, Alice!”, o grupo ainda chama a atenção para o crescimento da chamada bancada evangélica no Congresso, que defende pautas mais conservadoras.

“Evangélicos não são nossos inimigos. Mas a bancada evangélica, especificamente, é formada por LGBTfóbicos que atuam visando o retrocesso das políticas públicas em favor da diversidade”, afirma o documento.

O #VoteLGBT afirma ainda que esta não é a hora para o eleitor se abster da responsabilidade – ou “fazer a egípcia”, caso prefira a gíria.