São Paulo abre concorrência para novo mobiliário urbano

A licitação prevê ganho aos cofres públicos de R$ 439 milhões por 25 anos - que, divididos entre os 7,5 mil abrigos e relógios, vão dar R$ 195 por mês

São Paulo – São Paulo vai ganhar 16 mil cartazes e letreiros de publicidade até 2018. Esse é o prazo previsto nos editais para a concessão do mobiliário urbano, colocados em consulta pública sexta-feira pela São Paulo Obras (SPObras) e prometidos pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) desde 2007. A licitação prevê ganho aos cofres públicos de R$ 439 milhões por 25 anos – que, divididos entre os 7,5 mil abrigos e relógios, vão dar R$ 195 por mês por ponto na capital.

Será a primeira vez que a Prefeitura autoriza a exploração de publicidade na rua desde que a Lei Cidade Limpa, principal marca da gestão Kassab, entrou em vigor, em 2007. A promessa da concessão data daquele ano, mas só começou a sair do papel em 2011, com aval da Câmara. Trata-se de mais um serviço de “embelezamento” da cidade em ano eleitoral, além da instalação de 150 mil lixeiras e do novo modelo de varrição, que vão custar, juntos, cerca de R$ 1 bilhão anuais aos cofres municipais.

Serão entre 6,5 mil e 7,5 mil abrigos de ônibus, com dois pontos de publicidade cada um, e 1 mil relógios de rua espalhados por todas as zonas da cidade. A expectativa da Prefeitura é de que os contratos sejam assinados no início do segundo semestre. Depois disso, as empresas terão entre três e cinco meses para começar a instalar os novos equipamentos. Todos os atuais relógios de rua e abrigos de ônibus terão de ser trocados. Outros 12,5 mil totens de parada de coletivos terão de ser instalados. As empresas vencedoras poderão explorar o espaço publicitário nesses equipamentos – exceto nos totens, que não terão publicidade – em troca de fazer toda a manutenção do mobiliário.


A escolha da vencedora será feita levando em conta o valor ofertado e a capacidade técnica para realizar o serviço. O investimento estimado para esse período, contando os gastos com manutenção, é de R$ 146 milhões para os relógios e de R$ 540 milhões para os abrigos e totens de ônibus.

Os relógios de rua vão passar dos atuais 296 para 1 mil e ganhar informações de qualidade do ar. O edital coloca limites mínimos a serem instalados nas zonas mais afastadas do centro – serão, no mínimo, 150 relógios em cada região da cidade (norte, sul, leste e oeste).

Essa era uma das principais reivindicações dos vereadores de oposição, que temiam que os equipamentos fossem instalados apenas nas áreas nobres. Para o centro, foi fixado um número máximo de cem relógios. Já o lugar dos abrigos e totens ainda será definido pela São Paulo Transportes (SPTrans).

A expectativa da Prefeitura é de que grandes grupos de mídia externa, que já atuam nas principais cidades europeias e americanas, participem da licitação. “Quatro grupos estrangeiros, os maiores na exploração de mídia externa, já apresentaram interesse na audiência pública que fizemos. Além disso, temos várias empresas nacionais que já exploram esse tipo de serviço em locais como Campinas e a Baixada Santista”, afirma Francisco Christovam, diretor de gestão corporativa da SPObras. Será exigido um índice de nacionalização de 40% para os equipamentos a serem instalados na capital.