Relator da CPI diz não haver provas contra Dilma e Lula

O deputado Luiz Sérgio isentou de culpa o ex-presidente Lula e a presidente Dilma no esquema de corrupção na Petrobras

Brasília – O relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), concluiu nesta segunda-feira, 19, a leitura do resumo de seu parecer e isentou de culpa os ex-presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff no esquema de corrupção na estatal.

“Acredito que não chegou ao conhecimento de todos”, declarou o relator, para quem não há evidências contra Dilma e Lula e nem do envolvimento de Gabrielli e Graça Foster.

O petista questionou as investigações da Operação Lava Jato, disse que não dá para dizer que havia dinheiro “carimbado” das empreiteiras, afirmou que não se pode questionar só contas do PT, mas do PSDB também e atacou a criminalização da política.

“Creio que houve exagero na Lava Jato”, concluiu. O relator disse que não há provas de que doações de campanha foram fruto de desvios na Petrobras e criticou alguns investigadores que “parecem escolher seus alvos”.

Ele destacou que muitas empreiteiras financiaram diversos partidos e diversos candidatos.

Em suas conclusões, Luiz Sérgio recomendou o uso de licitação na modalidade de concorrência para serviços de alto valor na Petrobras e sugeriu a criação de uma comissão para fazer mudanças na lei anticorrupção.

Sub-relator

Já o sub-relator da CPI, Altineu Cortês (PR-RJ), pediu o indiciamento de personagens já conhecidos na Operação Lava Jato, como Pedro Barusco, Renato Duque, além de funcionários da Petrobras envolvidos nas obras do Comperj, Refinaria de Abreu e Lima.

Ele também sugeriu a responsabilização de executivos de empresas do Grupo Suzano, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Alusa e Schahin, entre outros.

As sugestões do sub-relator da área de refinarias foram incorporadas no relatório do petista Luiz Sérgio que, num primeiro momento, não pediu nenhum indiciamento.

Com a repercussão negativa da decisão de não responsabilizar ninguém, o relator decidiu acatar as sugestões dos sub-relatores. Neste momento, o sub-relator Bruno Covas (PSDB-SP), responsável pela investigação na Gasene, apresenta seu relatório.