Protestos provam “normalidade democrática”, diz Edinho Silva

Segundo ministro da Infomação, governo recuperará sua imagem na medida em que a crise econômica comece a ser superada

Brasília – Os protestos que a oposição brasileira convocou para o próximo domingo preocupam o governo de Dilma Rousseff, mas comprovam a “normalidade democrática” vivida pelo país, disse nesta terça-feira à Agência Efe o ministro da Informação, Edinho Silva.

“O governo observa esses movimentos e as manifestações que possam ocorrer com naturalidade” e com “respeito” frente às críticas da sociedade, explicou o ministro sobre as convocações para o próximo domingo, quando a oposição pretende levar às ruas milhares de brasileiros descontentes com a gestão de Dilma.

Segundo Silva, “o governo tem que se dedicar a governar” e a criar as condições necessárias para uma rápida recuperação da maltratada economia nacional, que neste ano contrairá pelo menos 1,5%, de acordo com as próprias previsões oficiais.

A essa delicada situação econômica se soma uma crise política de enormes dimensões gerada em parte por um escândalo de corrupção na estatal Petrobras e que envolve vários políticos, em sua maioria da base que apoia Dilma.

“A crise política contaminou a crise econômica”, admitiu Silva, que reconheceu que o “mau humor” gerado pela natureza e extensão dos escândalos na Petrobras rarefez a relação do governo com o parlamento.

Todo esse clima repercutiu na imagem que os brasileiros têm do governo e de Dilma, cuja taxa de aprovação está hoje, segundo recentes enquetes, em 8%, frente a índices de rejeição que chegam a 70%.

Segundo Silva, o governo recuperará sua imagem na medida em que a crise econômica comece a ser superada, o que deverá ocorrer no próximo ano, de acordo com os cálculos das autoridades econômicas.

No entanto, o governo também deverá recompor suas relações com os partidos da coalizão governista, que se ressentiram pelas investigações em torno do escândalo em Petrobras.

Na opinião do ministro da Informação, na medida em que se supere a crise política, será transmitida uma mensagem de confiança aos investidores tanto nacionais como estrangeiros e ajudará a recuperação da atividade econômica.

Silva também afirmou que aqueles setores minoritários da oposição que insistem a submeter Dilma a um julgamento político por uma suposta responsabilidade do governo nas corrupções em Petrobras estão “destinados” ao fracasso.

“Um processo de destituição não se instaura pela mera vontade política de alguns. A Constituição diz que tem que haver fortes razões jurídicas e elas não existem”, sustentou Silva.