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Eleições | 20/06/2012 14:49

Saída de Erundina surpreende petistas do governo

Lula e Dilma discutem os estragos provenientes da aliança com Maluf que resultou na saída da deputada do PSB

Tânia Monteiro e Leonêncio Nossa, do

Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-presidente Lula em Brasília

Todos estão no aguardo do movimento que Lula fará para saber a direção a ser tomada na campanha

Rio de Janeiro - A desistência da deputada federal Luíza Erundina (PSB) de participar da disputa à prefeitura de São Paulo, como vice, ao lado do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, pegou de surpresa a cúpula petista do governo. Ministros que acompanham a presidente Dilma Rousseff na viagem ao Rio de Janeiro, onde ela participa da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, foram unânimes em mostrar surpresa com a decisão de Erundina e asseguraram que, a exemplo do que disse Haddad, "não existe plano B, pelo menos por enquanto", para substituí-la. Um dos ministros reconheceu, no entanto, que é preciso que a substituição de Erundina seja bem rápida, para evitar maiores desgastes à candidatura Haddad.

Ainda hoje à tarde, antes de ir para o Riocentro, a presidente Dilma Rousseff recebe, no hotel Windsor Barra, onde está hospedada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema sucessão na prefeitura de São Paulo e os estragos provenientes da aliança com Maluf que resultou na saída de Erundina, certamente serão abordados, ainda que informalmente. Todos estão no aguardo do movimento que Lula fará para saber a direção a ser tomada na campanha. Mas auxiliares da presidente consideraram que a desistência de Erundina, em represália ao acordo selado com Paulo Maluf, será um baque na campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

O ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Fernando Pimentel, que estava no hotel Windsor, evitou comentar o episódio. "Este é assunto dos paulistas e eu sou mineiro", desconversou, brincando.

De acordo com um dos ministros ouvidos pela reportagem, não era esperada essa reação de Luíza Erundina. Até o início da noite de ontem, todos achavam que a deputada, apesar de descontente, não deixaria a chapa e acabaria se entendendo com Haddad, apesar de Maluf. Achavam que as críticas iniciais estavam registradas e que, aos poucos, ela absorveria a necessidade da aliança, em função do tempo de TV e do eleitorado que ele representa.

Ontem, o ministro-chefe da Secretaria Geral, tentou justificar a necessidade da aliança com Maluf , alegando que "daqui a pouco isso vai estar diluído na campanha e esta questão vai ser superada muito rapidamente". Gilberto Carvalho justificou ainda que essa aliança com Maluf teria um impacto inicial, mas que seria logo superado. Para o ministro, "não dá para dizer que Maluf é um exemplo só do mal". "Ele tem um trabalho em São Paulo também, tem uma base que tem de ser respeitada." E emendou: "Não podemos subestimar o Maluf e precisamos levar em conta que ele tem uma grande base em São Paulo."

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