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CPI | 21/08/2012 14:48

Procuradora diz que é preciso "sufocar" braço de Cachoeira

Léa Batista de Oliveira diz que é preciso "sufocar" o braço financeiro do esquema do contraventor

Maria Carolina Marcello, da

Antônio Cruz/Agência Brasil

Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira

Cachoeira está preso desde fevereiro, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais

Brasília- A procuradora Léa Batista de Oliveira, que participou das investigações sobre Carlinhos Cachoeira e seu grupo, afirmou nesta terça-feira à CPI que investiga o caso que é preciso "sufocar" o braço financeiro do esquema, que continua ativo mesmo com a prisão do apontado como chefe.

Cachoeira está preso desde fevereiro, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais, mas isso não impede, de acordo com a procuradora, que o grupo continue agindo. Léa citou, inclusive, ter recebido ameaças por emails originados em Anápolis, reduto da família e do grupo de Cachoeira.

"Enquanto não conseguirmos sufocar essa organização, em termos financeiros, ela vai continuar atuando, independentemente de o chefe estar preso ou não", disse a procuradora em depoimento à CPI que investiga as relações de Cachoeira com políticos e empresários, de acordo com a Agência Câmara.

Segundo Léa, a investigação ainda aguarda dados bancários pedidos a partir de quebras de sigilo para avançar na investigação sobre a atuação financeira do grupo e a suposta lavagem de dinheiro usando empresas fantasmas.

A procuradora explicou aos parlamentares que a operação da Polícia Federal que levou diversos integrantes da organização à prisão teve de ser adiantada no início deste ano, porque interceptações telefônicas indicaram que membros do grupo tinham detalhes do processo, incluindo o nome do juiz responsável.

Léa afirmou que a organização teria se infiltrado também nas polícias civil, militar, rodoviária e federal no Estado de Goiás.

"Silêncio orquestrado"

Segundo a procuradora, a organização tem característica "mafiosa", explicitada pelo "silêncio orquestrado" das pessoas investigadas, que se mantiveram caladas em depoimentos à Justiça e à CPI.

"O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas, quando um membro de grupo, com seu silêncio, quer defender o grupo e ser leal ao chefe", disse a procuradora a parlamentares. "Esse silêncio orquestrado é típico", acrescentou.

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