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Depois do escândalo, Duda manteve as atividades de marqueteiro. Em 2010, ajudou a eleger os senadores Marta Suplicy e Cássio Cunha Lima
Em 11 de agosto de 2005, o marqueteiro Duda Mendonça foi responsável por um dos momentos mais delicados da crise do mensalão: em depoimento à CPI dos Correios, ele admitiu ter recebido cerca de 10,5 milhões de reais no exterior, como pagamento pela sua participação na campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2002.
O valor foi depositado em uma conta nas Bahamas, por meio do empresário Marcos Valério de Souza, o operador do mensalão. "Não quero ficar de santinho, nem de hipócrita, nem de cínico. Mas, na verdade, ou a gente recebia assim ou não recebia. Eu tinha coisas a pagar. Eu não tinha mais poder de decisão. O jogo estava na mão deles", afirmou Duda no depoimento que incendiou Brasília.
A fala deflagrou uma ameaça real de impeachment e levou petistas às lágrimas no plenário da Câmara numa das imagens que entrou para a história. Era o auge de uma crise que ainda se arrastaria por meses, derrubaria ministros em série e afetaria para sempre a imagem do PT. Assustado, Lula foi à televisão para um pronunciamento em que admitiu os "erros" do partido e do seu governo. Pediu desculpas ao país.
Sete anos depois, longe dos holofotes do mundo publicitário, Duda está envolvido na campanha do candidato petista à prefeitura de Fortaleza, Elmano Freitas. Também terá missões a cumprir com a legenda em Jundiaí (SP) e São Luís (MA). Mas é no exterior que hoje ele concentra suas prioridades: as filiais de sua empresa, a Duda Propaganda, em Portugal e na Polônia.
Os contratos públicos sempre foram outra fonte de renda do marqueteiro, especialmente com o governo federal. Em 2011, faturou mais de 100 milhões de reais da União. O montante permite que ele mantenha a rotina extravagante, que inclui restaurantes de luxo, rinhas de galo e viagens em avião e helicóptero particulares.
Depois do escândalo, Duda manteve as atividades de marqueteiro. Em 2010, ajudou a eleger os senadores Marta Suplicy (PT-SP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). No ano passado, comandou a campanha derrotada pela separação do território do Pará. O interesse na região vai além da paixão por vaquejadas: ele é dono de uma milionária fazenda no local e, se o plebiscito ganhasse, ele se tornaria um importante líder do novo estado do Carajás.
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